A TAP encerrou os primeiros seis meses de 2026 com um prejuízo de 99,2 milhões de euros, agravando as perdas de cerca de 70 milhões registadas no período homólogo. Apesar de ter atingido receitas recorde e transportado mais passageiros, o desempenho financeiro da companhia aérea nacional foi fortemente penalizado pela escalada dos custos com o combustível, impulsionada pela instabilidade no Médio Oriente.
Entre janeiro e junho, as receitas operacionais da transportadora subiram 4,3%, atingindo os 2.039,8 milhões de euros, com o negócio de bilheteira a crescer 4,4% (1.829,2 milhões de euros), sustentado pela forte procura na América do Sul e na Europa. A TAP transportou 8,2 milhões de passageiros, mais 4,2% do que no ano anterior, num total de 57,5 mil voos (+0,3%). O tráfego cresceu 5,9%, superando o aumento de 1,7% na capacidade colocada no mercado, o que permitiu elevar a taxa de ocupação dos voos em 3,4 pontos percentuais, fixando-a nos 85,4%.
Impacto imediato nos custos operacionais
A trajetória positiva das receitas acabou por ser anulada pela pressão dos custos com o jet fuel, que dispararam 18,7% no semestre e aceleraram 52,3% no segundo trimestre. Como explicou o presidente executivo da TAP, Luís Rodrigues, a subida dos combustíveis refletiu-se de forma imediata nos custos, enquanto as medidas de compensação nas receitas têm um efeito mais lento, dado que grande parte dos bilhetes para o período já se encontrava vendida.
O EBITDA recorrente fixou-se nos 181,9 milhões de euros, mas o EBIT recorrente ficou negativo em 83,7 milhões de euros. Importa notar que estes números ainda não refletem o período estival de verão, habitualmente o mais rentável para o setor.
Num semestre marcado pelo fim do plano de reestruturação aprovado pela Comissão Europeia, a TAP reforçou a sua posição financeira com uma emissão obrigacionista de 350 milhões de euros, terminando junho com 1.222,1 milhões de euros em liquidez.
A apresentação destes resultados coincide com a fase final da privatização parcial da companhia: a Parpública deverá entregar ao Governo o relatório de análise das propostas vinculativas da Air France-KLM e da Lufthansa para a aquisição de 44,9% do capital, cabendo ao Executivo a decisão final.





