O conflito no Médio Oriente e os atrasos constantes na entrega de novas aeronaves deverão reduzir para metade os lucros da aviação comercial global em 2026. O alerta foi emitido pela Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA) durante uma sessão organizada pela Câmara de Comércio França-Macau.
Erik Chan, gestor regional da IATA para Hong Kong e Macau, revelou que a projeção de lucros líquidos do setor se fixa agora nos 23 mil milhões de dólares (19,7 mil milhões de euros), o que representa uma margem de lucro operacional de apenas 2%. Antes do eclodir do conflito, as estimativas de rentabilidade para a aviação eram sensivelmente o dobro.
Embora as receitas totais da indústria devam crescer 9,5% e atingir os 1,17 biliões de dólares (998 mil milhões de euros), o aumento das despesas operacionais — que sobem 13,1% para 1,12 biliões de dólares (957 mil milhões de euros) — irá esmagar os resultados das transportadoras. Em consequência desta crise tripla, o crescimento de passageiros abrandou de 5% para 2% e o transporte de carga ficou praticamente estagnado.
O principal fator de pressão reside na escalada dos custos de combustível, impulsionada pelas perturbações no trânsito de energia no estreito de Ormuz. O fecho de pontos críticos retirou do mercado cerca de 10 milhões de barris diários de petróleo bruto. A margem de refinação atingiu o recorde histórico de 80 dólares por barril em abril, levando o combustível para aviação em Singapura a ultrapassar os 230 dólares por barril.
A esta crise somam-se os desvios das rotas devido a restrições no espaço aéreo, aumentando as distâncias entre a Europa e a Ásia entre 5% e 20% e elevando os custos operacionais até 10%. Para agravar o cenário, as companhias aéreas não conseguem expandir a sua capacidade para compensar as perdas, devido a um défice global de 5.600 aeronaves não entregues e a uma lista de espera de 18 mil aviões por fabricar, o equivalente a 12 anos de produção. Apesar do impacto imediato, a IATA garante que a procura estrutural a longo prazo permanece forte, impulsionada pelos mercados da China e da Índia.





