A companhia aérea letã Air Baltic garantiu uma balão de oxigénio decisivo para a sua reestruturação financeira, após os credores aprovarem o adiamento até 2029 do reembolso de uma emissão de obrigações no valor de 380 milhões de euros, com uma taxa de juro associada de 14,50%.
A decisão foi formalizada na Assembleia Geral realizada esta segunda-feira, 17 de agosto de 2026, onde estiveram representados mais de 25% dos titulares dos títulos em circulação, registando-se um apoio superior a 75% dos votos expressos — cumprindo com folga os requisitos de quórum e maioria necessários para a alteração dos termos do financiamento.
Com este aval, a transportadora de bandeira da Letónia ganha a margem de manobra financeira necessária para implementar o seu plano de viabilização económica e negociar soluções de financiamento intercalar. A votação da assembleia não abrangeu, contudo, as condições concretas do novo apoio financeiro temporário, ponto que ficou remetido para decisões futuras.
A estratégia de reestruturação da companhia assenta numa forte reorganização operacional, que passa por reorientar o foco da atividade para a sua principal placa giratória (hub) no Aeroporto Internacional de Riga. Paralelamente, a frota operacional da empresa sofrerá um forte emagrecimento: o número de aviões Airbus A220-300 em operação própria será reduzido de 54 para 36 unidades, sendo as restantes 18 aeronaves colocadas no mercado de aluguer de longa duração (wet lease) a outras companhias aéreas internacionais.
Esta redefinição do modelo de negócio e da malha de voos pode ter impacto direto nas ligações operadas a partir dos três países Bálticos — Letónia, Estónia e Lituânia. Entre os destinos da rede afetados por este ajuste figuram várias rotas ibéricas e mediterrânicas de grande procura turística, incluindo cidades espanholas como Madrid, Barcelona, Valência, Málaga e Alicante, bem como os arquipélagos das Canárias e das Baleares, para além de ligações pontuais ao mercado português através do aeroporto de Lisboa.





