Os diretores de operações — conhecidos no meio empresarial pela sigla em inglês COO (Chief Operating Officers) — já não são apenas os responsáveis por garantir que as coisas funcionam no dia a dia. Hoje, desempenham um papel cada vez mais estratégico e decisivo na vida das empresas europeias, com responsabilidades que vão muito além do controlo da eficiência.
A aceleração da transformação digital, a chegada em força da inteligência artificial (IA) e as novas exigências de sustentabilidade estão a redefinir radicalmente a profissão. As conclusões são do estudo The New COO: From Efficiency Engineer to Business Orchestrator, elaborado pela consultora Oliver Wyman.
A análise revela que os profissionais que chegam a este cargo estão agora muito mais preparados e trazem uma bagagem mais pesada. Se antes de 2015 um COO acumulava, em média, quatro cargos ao longo de 11 anos de carreira antes da nomeação, hoje passa por seis a oito funções diferentes e soma cerca de 17 anos de experiência prévia. Além disso, a permanência no cargo subiu de quatro para seis anos, o que demonstra que as empresas procuram estabilidade e visão de longo prazo para gerir contextos cada vez mais complexos.
O perfil na Península Ibérica: mais anos e mais setores
A Península Ibérica destaca-se com uma dinâmica própria no panorama europeu. Em Portugal e Espanha, a exigência de maturidade profissional antes de assumir o cargo de COO disparou: a experiência média acumulada subiu para perto de 20 anos — praticamente o dobro do que se verificava antes de 2015 —, registando o maior aumento entre todos os mercados analisados.
Outra diferença assinalável reside na diversidade de percursos. Enquanto em países como Alemanha, França e Países Baixos tem vindo a diminuir a proporção de diretores com bagagem em diferentes setores de atividade e no estrangeiro, em Portugal e Espanha o caminho foi o oposto. Nestes dois países ibéricos, 94% dos COO já trabalharam em mais do que um setor industrial ou de serviços, e a maioria mantém uma forte vivência internacional.
As três grandes prioridades até 2030
Para responder às exigências do mercado, o estudo identifica três grandes eixos que vão dominar a agenda destes executivos nos próximos anos e a saber:
- Operações mais resilientes e digitais: Adoção de tecnologias como a Internet das Coisas (IoT) e automatização para proteger e modernizar as cadeias de abastecimento;
- Inteligência Artificial e Sustentabilidade: Aplicação de IA no fabrico e na gestão, otimização do consumo de energia e cumprimento das exigências regulatórias ambientais e sociais (ESG);
- Parcerias e novas competências: Foco no trabalho em rede com ecossistemas externos, na formação contínua das equipas e em estratégias orientadas para a neutralidade carbónica.
Da gestão operacional à liderança de topo
Embora a função de COO continue a ser um trampolim natural para a presidência executiva (CEO), essa transição tornou-se ligeiramente menos frequente. Na Europa, a percentagem de diretores de operações que passaram a CEO caiu de 24% para 15%. Quem dá esse salto, fá-lo maioritariamente nos primeiros cinco anos no cargo.
A restante maioria prefere consolidar-se na área operacional, especializando-se na orquestração de plataformas digitais, redes de parceiros e modelos de negócio complexos.
Em suma, a volatilidade geopolítica, a transição energética e a revolução da IA deixaram de permitir que o COO seja apenas um “engenheiro de processos”. Os líderes operacionais que mais se vão destacar até ao final da década serão aqueles capazes de equilibrar a tecnologia com o talento humano, transformando os desafios diários numa vantagem competitiva para a empresa.





