Porto e Norte concentra 75% do aumento das dormidas turísticas em Portugal no primeiro semestre

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O Porto e Norte de Portugal foi responsável por quase três quartos do crescimento das dormidas turísticas registado no país nos primeiros seis meses de 2026, com a região a gerar 352,5 mil das 470,4 mil dormidas adicionais contabilizadas a nível nacional.

Os dados divulgados pelo Turismo do Porto e Norte de Portugal mostram que a região terminou o semestre com 6,87 milhões de dormidas, correspondentes a um aumento de 5,4% face ao mesmo período de 2025. O número de hóspedes também avançou, para 3,67 milhões, mais 4,8%.

A evolução da atividade traduziu-se igualmente num aumento das receitas. Os estabelecimentos de alojamento turístico da região alcançaram 526,6 milhões de euros em proveitos, valor que representa uma subida de 5,6% em termos homólogos.

O peso do destino no crescimento nacional é particularmente evidente quando comparado com o desempenho global do país. Portugal registou 36,85 milhões de dormidas entre janeiro e junho, mais 470,4 mil do que no primeiro semestre do ano anterior. Deste incremento, 74,9% teve origem no Porto e Norte, região que representa atualmente 18,6% de todas as dormidas registadas no território nacional.

Procura internacional impulsiona crescimento

O contributo regional ganha ainda maior expressão quando analisado exclusivamente o mercado externo. As dormidas de turistas estrangeiros aumentaram 220,7 mil no Porto e Norte, superando inclusivamente o crescimento de 214,8 mil dormidas internacionais verificado em todo o país.

Também o mercado interno teve uma evolução positiva. Dos 255,5 mil acréscimos de dormidas de residentes em Portugal contabilizados nacionalmente, 131,8 mil foram gerados no Porto e Norte, correspondendo a 51,6% do crescimento.

Os indicadores divulgados pela entidade regional apontam ainda para uma evolução qualitativa da procura. Os proveitos cresceram a um ritmo superior ao das dormidas, que por sua vez avançaram acima do número de hóspedes. Para o Turismo do Porto e Norte, esta combinação significa que os visitantes estão a permanecer durante mais tempo e a gerar maior receita.

A evolução é particularmente visível na hotelaria de categorias superiores. As dormidas em estabelecimentos de cinco estrelas aumentaram 10,8% no primeiro semestre, enquanto as unidades de quatro estrelas registaram uma subida de 7,0%. Em sentido contrário, as categorias de uma e duas estrelas recuaram 2,4%.

Com esta evolução, os hotéis de quatro e cinco estrelas passaram a representar 63,7% das dormidas hoteleiras da região, contra 62% no ano anterior. Dentro deste segmento, a quota dos estabelecimentos de cinco estrelas subiu de 16,6% para 17,5%.

Estadas mais longas no Norte

A duração média das estadias também aumentou ligeiramente, passando de 1,86 para 1,87 noites. A evolução contrasta com a média nacional, que caiu de 2,45 para 2,43 noites no mesmo período.

Entre os mercados internacionais, a permanência aumentou em quase todos os principais emissores. A Polónia apresentou uma estada média de 2,51 noites, seguida do Reino Unido, com 2,39, do Brasil, com 2,23, dos Estados Unidos, com 2,13, e do Canadá, também com 2,23 noites.

A evolução acumulada reforça igualmente a trajetória de crescimento do destino. Entre janeiro e maio, o Porto e Norte registou 5,43 milhões de dormidas, mais 47,7% do que no período homólogo de 2019.

Crescimento estende-se ao interior

A dinâmica turística não ficou circunscrita ao Porto ou às zonas litorais. Entre janeiro e maio, Terras de Trás-os-Montes foi a sub-região com maior crescimento, com uma subida de 7,8% nas dormidas, seguida pelo Alto Minho, que avançou 7,2%. Ambos os resultados ficaram acima da média regional de 5,9% nesse período.

Para Luís Pedro Martins, presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, a evolução de Terras de Trás-os-Montes demonstra a capacidade de distribuir o crescimento turístico por diferentes territórios.

“O facto de Terras de Trás-os-Montes ter sido a sub-região que mais cresceu, e de o Turismo no Espaço Rural ter liderado o aumento de proveitos, revela a alma do modelo”, afirma.

O responsável considera que os resultados refletem a estratégia desenvolvida nos últimos anos, mas também fatores externos à região, nomeadamente a política nacional de distribuição dos fluxos turísticos, o reforço da realização de eventos internacionais e a melhoria da conectividade aérea.

“Estamos muito satisfeitos com a estratégia que temos vindo a desenvolver ao longo dos últimos anos, sendo que este desempenho é também o resultado de uma estratégia nacional que aposta numa melhor distribuição de turistas por todo o país, mais eventos internacionais e maior conectividade aérea”, acrescenta Luís Pedro Martins.