O tráfego de passageiros nos aeroportos europeus aumentou 2,6% no primeiro semestre de 2026 face ao mesmo período do ano anterior, embora o ritmo de crescimento tenha abrandado significativamente no segundo trimestre, segundo o mais recente relatório da ACI EUROPE.
A associação europeia de aeroportos atribui esta desaceleração, em grande medida, ao impacto do conflito no Médio Oriente, que levou à redução da procura para a região, ao aumento dos custos do combustível e ao corte de capacidade por parte de várias companhias aéreas.
Entre abril e junho, o crescimento limitou-se a 1,3%, bastante abaixo dos 4,3% registados no primeiro trimestre. Pela primeira vez desde a recuperação da pandemia, o tráfego doméstico (+3%) superou o internacional (+2,5%) na Europa.
Segundo Olivier Jankovec, diretor-geral da ACI EUROPE, a evolução do mercado tem sido fortemente condicionada por fatores geopolíticos e por constrangimentos do lado da oferta, mais do que por uma quebra da procura. O responsável sublinha que os europeus continuam a privilegiar as viagens aéreas e que os visitantes norte-americanos mantêm níveis recorde de procura pelo continente durante este verão.
A associação alerta, contudo, para a necessidade de resolver rapidamente os problemas associados ao novo Sistema de Entrada e Saída (Entry/Exit System) do espaço Schengen, considerando que os tempos de espera nos controlos fronteiriços começam a afetar a atratividade da Europa enquanto destino turístico.
Espanha e Itália lideram entre os grandes mercados
Entre os principais mercados da União Europeia, Espanha (+3,7%) e Itália (+4,2%) registaram os desempenhos mais robustos. Em sentido contrário, França (+0,6%) e Reino Unido (+0,4%) apresentaram crescimentos modestos, enquanto a Alemanha voltou a recuar (-1,2%).
Nos mercados fora da União Europeia, destacaram-se os aeroportos da Macedónia do Norte (+27,9%), Moldávia (+21%), Albânia (+17,2%), Uzbequistão (+15,7%), Arménia (+11%) e Montenegro (+10,4%). Já Israel (-19,2%), Azerbaijão (-3%) e Geórgia (-2,5%) registaram as maiores quedas.
Heathrow mantém liderança
O Aeroporto de Londres-Heathrow conservou o estatuto de maior aeroporto europeu, ao receber um recorde de 40 milhões de passageiros no primeiro semestre (+0,2%), seguido de perto por Istambul, com 39,84 milhões (+1,6%).
Entre os grandes aeroportos, os maiores crescimentos foram registados em Istambul Sabiha Gökçen (+6,4%), Barcelona (+4,4%) e Madrid (+4,2%). Em contrapartida, Londres-Gatwick (-5,2%), Munique (-4,2%) e Frankfurt (-0,8%) perderam passageiros, enquanto Paris-Charles de Gaulle, Amesterdão-Schiphol e Roma-Fiumicino permaneceram praticamente estáveis.
Aeroportos regionais continuam a ganhar peso
Os aeroportos de média e pequena dimensão voltaram a ser os mais dinâmicos. Os aeroportos com menos de um milhão de passageiros cresceram 8,6%, embora continuem a ser o único segmento ainda abaixo dos níveis registados antes da pandemia.
Entre os aeroportos de maior dimensão intermédia destacaram-se Tirana (+17,2%), Tashkent (+16,9%), Malta (+15,6%), Cracóvia (+15,1%) e Milão-Linate (+10,3%).
Carga aérea estabiliza
O transporte de carga manteve-se praticamente estável no primeiro semestre, com um crescimento de 0,7% face a 2025, situando-se ainda 11,2% acima dos níveis pré-pandemia. Leipzig, Istambul e Amesterdão registaram os melhores desempenhos neste segmento, enquanto Paris-Charles de Gaulle apresentou a maior quebra.
Já os movimentos de aeronaves aumentaram 1% em termos homólogos, permanecendo ainda 1,5% abaixo dos valores registados no primeiro semestre de 2019.





