Combustível, conflitos e quebra na procura impactam aviação comercial

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COMBUSTÍVEL, CONFLITOS E QUEBRA NA PROCURA IMPACTAM AVIAÇÃO COMERCIAL — A  aviação comercial voltou a sentir o impacto da incerteza geopolítica e económica global. Dados recentes referentes a junho de 2026 revelam uma quebra de 1,7% na procura mundial de passageiros aéreos em comparação com o mesmo período do ano anterior. Se por um lado a vontade de viajar se mantém viva — e continua a ser um motor vital para o crescimento da economia global —, por outro, o setor enfrenta uma tempestade perfeita: a retração dos mercados domésticos em grandes potências e o efeito devastador das tensões no Médio Oriente.

Excluindo o impacto no Médio Oriente, a aviação internacional até deu sinais de resiliência, com um ligeiro crescimento de 1,1%. No entanto, a escalada dos preços dos combustíveis e a inflação dos bilhetes estão a obrigar companhias e passageiros a reajustar expetativas.

Entre a queda do Médio Oriente e o alívio Europeu

O cenário internacional é marcado por fortes contrastes geográficos. O Médio Oriente continua a ser o grande ponto cego do setor, registando uma queda drástica de 14% na procura internacional devido aos efeitos contínuos do conflito com o Irão. Ainda que a taxa de queda tenha abrandado face a meses anteriores — sinal de uma lenta e gradual normalização das operações —, a região permanece num equilíbrio frágil.

Em contrapartida, continentes como a Europa e a África demonstraram um dinamismo encorajador. As companhias europeias registaram um aumento de 1,5% no tráfego internacional, impulsionadas sobretudo pelas rotas entre a Europa e a Ásia, que dispararam 11% (o crescimento mais rápido entre os grandes corredores aéreos do mundo). Já a África liderou os ganhos regionais com uma subida de 6,7% na procura, seguida da América Latina (3,5%).

Nas Américas e na Ásia-Pacífico, a palavra de ordem foi contenção: o aumento do preço do jet fuel levou várias companhias a reduzirem voos de curta distância, desacelerando o ritmo de recuperação.

Alarme dos mercados internos

Se o tráfego internacional ainda conseguiu manter a cabeça fora de água, o mercado doméstico foi o verdadeiro responsável pelo tombo global de junho, com uma retração de 3%. À exceção do Brasil — que registou um modesto crescimento de 0,9% — e da Austrália, que se manteve estável, os principais mercados nacionais encolheram. As quedas mais expressivas pertenceram à China (-5,2%) e ao Japão (-3,8%), fruto do aperto nos orçamentos das famílias e do aumento dos custos operacionais das companhias.

Como resumiu Willie Walsh, Diretor-Geral da IATA, a estabilização do Médio Oriente e a normalização do fornecimento de petróleo não são apenas questões de geopolítica: são condicionalismos diretos ao futuro do turismo e do comércio global. Sem uma acalmia nos preços da energia e na estabilidade regional, viajar continuará a ser um exercício cada vez mais caro — e os céus mundiais continuarão sujeitos a forte turbulência.