Início noticias Açores registam nona quebra consecutiva nas dormidas. Empresários e alojamento local pedem...

Açores registam nona quebra consecutiva nas dormidas. Empresários e alojamento local pedem resposta urgente

0

Os Açores voltaram a registar uma quebra da atividade turística em junho, acumulando já nove meses consecutivos de descidas homólogas nas dormidas em alojamentos turísticos. Os dados divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA) motivaram reações da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) e da Associação do Alojamento Local dos Açores (ALA), que alertam para uma perda de competitividade do destino e apelam a medidas urgentes.

Segundo os resultados preliminares do SREA, em junho foram registadas 506,4 mil dormidas nos estabelecimentos de hotelaria, alojamento local e turismo no espaço rural, menos 3,8% do que no mesmo mês de 2025. O número de hóspedes também diminuiu 1,8%, para 151,3 mil, enquanto a estada média recuou 2%, fixando-se em 3,35 noites.

No acumulado do primeiro semestre, os Açores somaram 1,8 milhões de dormidas (-4,6%) e 578,4 mil hóspedes (-3,6%), contrariando a evolução nacional, onde as dormidas cresceram 0,7% em junho e 1,3% no conjunto dos primeiros seis meses do ano.

Os turistas estrangeiros representaram 76% das dormidas de junho, totalizando 385 mil noites, enquanto o mercado nacional registou a maior quebra, com uma redução de 9,2%, para 121,5 mil dormidas. Entre os mercados externos, os Estados Unidos mantiveram-se como principal emissor, com 77,7 mil dormidas (+3,1%), seguidos da Alemanha, com 65 mil (-0,2%), e da Espanha, com 38,6 mil, mercado que registou uma das maiores quebras (-22,7%).

Por tipologia de alojamento, a hotelaria concentrou 50,1% das dormidas e foi o único segmento a crescer (+2,4%). Já o alojamento local caiu 8,9% e o turismo no espaço rural recuou 13,1%.

São Miguel, responsável por cerca de dois terços das dormidas da região, registou uma diminuição de 5%, enquanto Santa Maria (-17,2%) e São Jorge (-8,9%) apresentaram as maiores quebras. Em sentido inverso, destacaram-se os aumentos no Corvo (+7,2%), Flores (+4,1%), Pico (+2,5%), Faial (+1,4%) e Terceira (+1,4%).

Apesar da redução das dormidas, a hotelaria aumentou os proveitos totais em 9,3%, para 28 milhões de euros, embora a taxa líquida de ocupação por cama tenha descido ligeiramente para 64,3%. No turismo em espaço rural, os proveitos recuaram 0,1%, para 2,9 milhões de euros, enquanto a taxa de ocupação baixou para 42,1%. No alojamento local, 17,6% dos estabelecimentos ativos não registaram qualquer movimento de hóspedes durante o mês.

Empresários alertam para perda de competitividade

Perante estes resultados, a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada considera que os Açores enfrentam uma tendência persistente de perda de competitividade que “não pode ser classificada como uma simples oscilação conjuntural”.

A associação empresarial entende que a região necessita de uma resposta estratégica imediata, apontando como principais causas a redução da oferta aérea, a menor concorrência entre companhias, o aumento do custo das viagens e a insuficiência da promoção internacional do destino.

A CCIPD defende o reforço da conectividade aérea, a captação de novas rotas e operadores, um maior investimento na promoção externa e medidas que aumentem a competitividade do destino, alertando que o adiamento destas decisões poderá prolongar a perda de procura, investimento e emprego.

Alojamento Local estima impacto de 30 milhões de euros

Também a Associação do Alojamento Local dos Açores manifestou preocupação com os resultados, estimando que a perda de cerca de 80 mil dormidas no alojamento local durante o primeiro semestre represente um impacto de aproximadamente 30 milhões de euros na economia açoriana.

Segundo a ALA, a quebra afeta não apenas o alojamento, mas também a restauração, comércio, rent-a-car, animação turística, transportes e outras atividades dependentes do turismo.

A associação alerta ainda para a aproximação do inverno IATA sem medidas concretas para reforçar a acessibilidade aérea, criticando a ausência de novas ligações e de companhias low cost, o que considera estar a contribuir para tarifas mais elevadas e menor capacidade de atrair visitantes.

A ALA defende igualmente o reforço da conectividade aérea, a captação de novas rotas e uma promoção mais intensa nos principais mercados emissores, sublinhando que “ainda vamos a tempo de inverter esta tendência, mas isso exige decisões rápidas e eficazes”. Com LUSA.