A Air France-KLM encerrou o primeiro semestre de 2026 com um prejuízo líquido de 61 milhões de euros, invertendo os resultados positivos registados no mesmo período do ano passado, quando o grupo aéreo tinha alcançado um lucro de 401 milhões de euros.
Apesar da deterioração do resultado líquido, as receitas continuaram a crescer. Entre janeiro e junho, a companhia faturou 16.756 milhões de euros, um aumento de 7,4% face ao período homólogo, enquanto o resultado operacional ajustado atingiu 478 milhões de euros, correspondente a uma margem operacional de 2,9%.
No segundo trimestre, o grupo regressou aos lucros, registando um resultado líquido de 190 milhões de euros, sustentado por receitas de 9.277 milhões de euros.
Segundo o presidente executivo da Air France-KLM, Benjamin Smith, a subida significativa dos custos com combustível voltou a marcar o desempenho financeiro da empresa. O responsável afirmou, no entanto, que a política de preços adotada e o controlo dos custos permitiram atenuar grande parte desse impacto, demonstrando a capacidade de adaptação do grupo.
A Air France, a KLM e a Transavia foram afetadas pelo aumento da despesa com combustível, que ultrapassou os 800 milhões de euros no trimestre, consequência da instabilidade provocada pelo conflito no Médio Oriente. Ainda assim, o grupo indica que o crescimento da receita média por passageiro compensou cerca de 85% desse acréscimo de custos.
Os resultados foram divulgados um dia depois de a Air France-KLM entregar ao Estado português a proposta vinculativa para a privatização da TAP. O grupo concorre com a Lufthansa à aquisição de uma participação na transportadora portuguesa.
No plano apresentado ao Governo, a Air France-KLM propõe reforçar a cooperação com a TAP através do desenvolvimento das atividades de manutenção aeronáutica em Portugal, da criação de novas infraestruturas dedicadas à manutenção de aeronaves e motores de última geração e da aposta em soluções digitais e de inteligência artificial aplicadas ao setor.
A estratégia inclui ainda uma parceria com a Delta Air Lines nas ligações transatlânticas, caso o grupo venha a ser escolhido como parceiro estratégico da companhia aérea portuguesa.





