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Pedro Costa Ferreira candidata-se à presidência da CTP

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A sucessão na liderança da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) começa a ganhar forma e poderá colocar frente a frente os setores das agências de viagens e da hotelaria, numa eleição que marcará o final de mais de uma década de presidência de Francisco Calheiros.

Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) desde 2012 e o dirigente que durante mais tempo se manteve na liderança da associação, anunciou ontem à imprensa a sua candidatura à presidência da CTP para o mandato 2027-2030, procurando manter-se ligado ao movimento associativo do turismo.

Francisco Calheiros, que termina o seu mandato, preside à CTP desde 2012. Proveniente do setor das agências de viagens, foi precisamente em representação da APAVT que presidiu à confederação durante os seus primeiros mandatos. A associação dos agentes de viagens continua a ser liderada por Pedro Costa Ferreira, que procura agora suceder-lhe na presidência da Confederação. Apenas no último mandato Calheiros transitou para a AHRESP, por já não poder voltar a ser candidato pela APAVT.

Caso seja eleito, Pedro Costa Ferreira representará o regresso de um dirigente oriundo do setor das agências de viagens à presidência da CTP. A sua notoriedade pública no turismo português foi construída essencialmente ao longo dos quase quinze anos em que presidiu à APAVT. Antes dessa projeção, desenvolveu durante cerca de uma década a sua carreira no Grupo Espírito Santo Viagens, onde desempenhou funções de direção, incluindo a vice-presidência, trabalhando sob a liderança de Francisco Calheiros, então presidente da empresa.

Historicamente, a ligação entre a presidência da CTP e o setor das agências de viagens não é inédita. O primeiro presidente da Confederação foi Atílio Forte, que assumiu o cargo em representação da APAVT. Mais tarde, entre 2006 e 2012, a presidência foi assegurada por José Carlos Pinto Coelho, em representação da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP). Pinto Coelho foi sucedido por Francisco Calheiros, igualmente oriundo do setor das agências de viagens, que exerce a presidência da CTP desde então, há quase 15 anos.

A eventual eleição de Pedro Costa Ferreira assinalaria, assim, o regresso de um representante das agências de viagens à liderança da CTP, depois de um pequeno interregno meramente burocrático, uma vez que, no mais recente mandato, por limitação estatutária, Francisco Calheiros passou a representar a associação mais representativa do setor da restauração.

Tal como o Opção Turismo adiantou na notícia publicada a 6 de abril, continua por esclarecer em representação de que associação será formalmente apresentada a candidatura de Pedro Costa Ferreira. Na altura, referimos que o ainda presidente da APAVT ponderava avançar fora da sua associação, procurando assumir uma candidatura de âmbito transversal. Fontes do setor admitiam mesmo a possibilidade de a candidatura vir a ser apresentada pela AHRESP, associação que patrocinou a candidatura de Francisco Calheiros no seu último mandato à frente da CTP, depois de este já não poder voltar a ser apresentado pela APAVT. Até ao momento, essa questão continua sem resposta pública.

No manifesto, apresentado sob o lema “Unir o Turismo, Reforçar as Regiões, Preparar o Futuro”, Pedro Costa Ferreira propõe uma CTP mais interventiva, mais próxima das associações e das regiões e mais presente na definição da estratégia para o turismo nacional. Embora nunca personalizando as suas afirmações, o documento constitui uma leitura crítica da presidência cessante, ao defender uma Confederação mais participativa, mais agregadora e mais ativa na representação dos interesses do setor. Entre as prioridades apresentadas figuram ainda a valorização do território, a harmonização entre o desenvolvimento turístico e a qualidade de vida das comunidades residentes, a promoção da inovação e da investigação e uma estratégia de crescimento baseada no aumento do valor acrescentado, da produtividade e da qualificação do turismo português.

Um dos conceitos centrais da candidatura é a metáfora do “caleidoscópio”, utilizada para defender uma CTP onde os diferentes subsectores do turismo tenham um papel mais ativo na definição da estratégia da Confederação. A ideia passa por reforçar a participação e a influência das associações que a integram, consolidando a CTP como a “casa comum” do turismo português.

O candidato revela ainda que a sua candidatura conta, desde o primeiro momento, com o apoio da AHRESP, da ALEP, da APECATE, da APAVT e da ARP, organizações representativas de vários segmentos da cadeia de valor do turismo.

Também Bernardo Trindade, antigo secretário de Estado do Turismo e atual presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), deverá avançar com uma candidatura à presidência da CTP, embora essa intenção ainda não tenha sido oficialmente anunciada.

O percurso de Bernardo Trindade é substancialmente diferente. Com uma carreira construída entre a hotelaria e a administração pública, está ligado ao Grupo Porto Bay Hotels & Resorts, um dos maiores grupos hoteleiros nacionais, e exerceu funções governativas como secretário de Estado do Turismo. Atualmente preside à Associação da Hotelaria de Portugal (AHP). Se ambas as candidaturas se confirmarem, a eleição para a liderança da CTP colocará frente a frente duas figuras com percursos profissionais muito distintos: de um lado, Pedro Costa Ferreira, das agências de viagens, cuja notoriedade foi construída ao longo de quase quinze anos à frente da APAVT; do outro, Bernardo Trindade, cuja carreira se dividiu entre a gestão hoteleira, a governação e o associativismo da hotelaria.