Novo Aeroporto Luís de Camões abre em 2037 e pode custar até 8,9 mil milhões de euros

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O Governo apresentou publicamente o plano estratégico “Expansão e Modernização do Sistema Aeroportuário Nacional: Ligar Portugal ao Mundo”. O projeto detalha o roteiro de investimentos para as infraestruturas do país e estabelece a meta de construção do novo Aeroporto Luís de Camões, no Campo de Tiro de Alcochete.

Embora a entrada em funcionamento esteja oficialmente prevista para 2037, o Executivo assume o objetivo de acelerar o processo para 2035, caso sejam aprovadas as medidas legislativas necessárias para encurtar os prazos da obra.

Com um investimento estimado entre 7,9 e 8,9 mil milhões de euros (a preços de 2024), a nova infraestrutura nascerá com capacidade para 56 milhões de passageiros por ano, podendo expandir-se até aos 85 milhões. Na fase inicial, contará com duas pistas, 64 portas de embarque, 72 pontes de contacto e um terminal com 500 mil metros quadrados, concebido segundo critérios de sustentabilidade para ser um edifício Net Zero.

Durante o encerramento da sessão, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, rejeitou as críticas de “ação propagandística”, defendendo a apresentação como um ato de “transparência” e classificando este como o “maior investimento de sempre” no setor para responder à saturação do aeroporto de Lisboa, que passou de 12 milhões de passageiros em 2021 para 36 milhões na atualidade.

Alta velocidade, nova travessia do Tejo e mais de 300 km de estradas

A viabilização do novo aeroporto exige um plano de infraestruturas de grande escala. Até 2029, o Campo de Tiro de Alcochete será totalmente desmilitarizado de forma faseada, ao mesmo tempo que será reestruturado o espaço aéreo e preparadas as redes básicas de energia, água, combustível e telecomunicações.

Ao nível dos acessos, o plano prevê:

  • Ferrovia de Alta Velocidade (2034): ligação direta ao centro de Lisboa em cerca de 20 minutos, através da futura Terceira Travessia do Tejo (TTT), além de ligações diretas de longo curso ao resto do país.
  • Rede rodoviária: construção de mais de 250 quilómetros de novas vias e requalificação de outros 50 quilómetros da rede existente.

Soluções de transição: Humberto Delgado cresce e Montijo recebe a totalidade das operações

Até à abertura da nova infraestrutura em Alcochete, o Governo traçou um plano de contingência para responder ao crescimento da procura no Aeroporto Humberto Delgado. A capacidade da Portela será reforçada para atingir os 40 voos por hora em 2029 e os 42 em 2031, superando os atuais 38. Estão igualmente previstas a expansão dos Terminais 1 e 2, uma nova placa de estacionamento de aeronaves e o alargamento da capacidade de controlo de fronteiras.

Paralelamente, a Base Aérea do Montijo receberá um investimento de 30 milhões de euros para reforçar a sua capacidade operacional militar. O objetivo passa por transferir a totalidade das operações do Aeródromo Militar de Lisboa para o Montijo até ao final de 2028, libertando espaço na Portela.

Segundo os dados apresentados, as recentes medidas de otimização tecnológica do espaço aéreo e de mitigação do ruído já estão a traduzir-se numa redução dos atrasos no aeroporto de Lisboa.