A cadeia hoteleira espanhola Meliá vai cessar na próxima sexta-feira, 24 de julho, toda a sua atividade em Cuba, onde gere um portefólio de 34 hotéis. De acordo com um comunicado enviado à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV), a decisão foi tomada pela sua filial em Portugal, a Ilha Bela – Gestão e Turismo Unipessoal Lda, sediada no Funchal, devido às “notáveis dificuldades” operacionais, jurídicas, económicas e financeiras que inviabilizam a mínima estabilidade dos negócios na ilha. O encerramento definitivo estende-se ao uso das marcas autorizadas, ao acolhimento de turistas e à cadeia de abastecimento local responsável pelo aprovisionamento das unidades hoteleiras.
Este desfecho resulta do endurecimento do embargo económico e das sanções impostas pelos Estados Unidos, sob a administração do Presidente Donald Trump. Além de bloquear a exportação de petróleo venezuelano para Cuba — agravada pela intervenção norte-americana no início do ano que culminou na captura de Nicolás Maduro —, Washington ameaçou sancionar todas as empresas que colaborem com o regime liderado por Miguel Díaz-Canel.
A grave escassez de combustível e os obstáculos comerciais fragilizaram profundamente o setor do turismo, levando a Meliá a avaliar agora o impacto financeiro da saída e a eventual revisão do valor contabilístico das suas operações no país, detalhes que serão revelados aquando da apresentação de contas do primeiro semestre.
A empresa assegura que a sua filial portuguesa está a trabalhar para garantir uma transição ordenada que minimize o impacto junto de colaboradores, fornecedores e clientes.
Recorde-se que os sinais de crise já se vinham a desenhar desde maio, altura em que o grupo informou ter encerrado metade da sua capacidade operacional na ilha, que contabilizava 14.053 quartos e dois novos projetos previstos para este ano.
Durante o primeiro trimestre, os hotéis da Meliá em Cuba estiveram operacionais em apenas 60% dos dias, registando uma taxa de ocupação de 34,1% e uma receita por quarto disponível (RevPAR) de 34,4 euros — valores substancialmente inferiores às médias globais do grupo, que se fixaram em 58,8% de ocupação e 84 euros de RevPAR.





