Cátia Rodrigues: “O criador de conteúdo inspira. O agente de viagens tem a responsabilidade de garantir que a viagem corra bem”

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Fundada em 2024, a Euforia Glam Viagens nasceu de uma convicção muito simples: uma viagem não termina na emissão de um bilhete nem na reserva de um hotel. Para Cátia Rodrigues, consultora de viagens integrada na estrutura da Uma Família em Viagem, o verdadeiro valor de um agente mede-se pela preparação, pelo acompanhamento e pela capacidade de transformar cada viagem numa experiência que deixa marca nos viajantes.

A ideia surgiu depois de uma viagem pessoal à Tunísia. Enquanto cliente, percebeu que o serviço recebido ficava aquém daquilo que considerava ser o papel de um agente de viagens.

“Fui através de uma agência e, no final, pensei que fazia aquilo de uma forma diferente e, se calhar, até melhor. Ficou esse bichinho em mim. Senti que uma viagem é muito mais do que vender um pacote. Um agente de viagens deve proporcionar uma experiência diferente ao cliente. Não é só dizer ‘é isto e agora vai’. Há informações importantes que fazem toda a diferença e que não podem ficar por transmitir.”

Determinada a avançar, procurou um parceiro que lhe permitisse desenvolver a atividade de consultoria. Depois de uma primeira experiência que admite não ter correspondido às expectativas, encontrou na Uma Família em Viagem o projeto com o qual se identificava.

“Venho da área dos eventos corporativos e sempre acreditei que a melhor estratégia é trabalhar com bons parceiros. Quando conheci a Uma Família em Viagem percebi que era exatamente o tipo de agência com a qual queria construir este projeto.”

Foi nessa altura que nasceu a marca Euforia Glam Viagens, construída, explica, à imagem da sua própria forma de viajar.

“Inicialmente, a Euforia Glam foi criada muito à minha imagem, à minha visão do mundo e daquilo que acredito que uma viagem deve ser. Depois, com a parceria que estabeleci, fui crescendo e também trouxe um pouco da componente humana que caracteriza a agência. Hoje é uma mistura dessas duas visões.”

Uma viagem como experiência humana

Com mais de três dezenas de destinos visitados, Cátia Rodrigues afirma nunca ter encarado as viagens apenas como períodos de descanso. O interesse pelas culturas locais e pelas experiências fora dos circuitos tradicionais acabaram por moldar também a identidade da agência.

“Uma viagem não se resume só a um hotel nem se resume só a uma praia. Existe muito mais por trás. Existe uma cultura, existem pessoas, existem formas diferentes de ver o mundo. Quando viajamos vamos buscar um bocadinho do destino para onde vamos e deixamos também um bocadinho de nós.”

Na sua perspetiva, é precisamente essa dimensão humana que, muitas vezes, falta na comercialização tradicional de pacotes turísticos. “Há muitos programas em que se vende apenas um pacote de viagem. Acho que falta sensibilizar as pessoas para aquilo que realmente vão conhecer. Vão contactar com culturas diferentes, vão crescer enquanto pessoas e também ajudar outros a crescer.”

Essa filosofia acaba por refletir-se na relação que estabelece com os clientes. Uma das frases que mais a marcou surgiu precisamente depois de uma viagem ao Egito: “Uma das viajantes disse-me uma coisa muito bonita: ‘A Euforia não é uma agência, é uma família.’ Acho que isso resume muito bem a dinâmica que conseguimos criar entre a Euforia, a Uma Família em Viagem e os nossos viajantes.”

As viagens de grupo nasceram
para responder a uma necessidade

Embora a marca seja frequentemente associada às viagens de grupo acompanhadas, Cátia Rodrigues rejeita a ideia de que este segmento tenha surgido por motivos comerciais.

“As viagens de grupo nunca foram criadas pela rentabilidade. Aliás, os valores acabam por ser mais baixos do que muitas viagens individuais. Foram pensadas para pessoas que querem viajar mas não têm companhia, têm receio do destino ou simplesmente nunca tiveram coragem de sair da sua zona de conforto.”

Acompanhando pessoalmente todos os grupos, considera que essa proximidade acaba por transformar a própria experiência.

“Os grupos estão sempre acompanhados por mim. Quero garantir que tudo corre bem e ajudar cada pessoa a viver o destino da melhor forma possível”, afirmou.

Ao contrário do que poderia esperar-se, a diversidade de idades nunca foi um obstáculo: “Já tivemos viajantes dos 18 aos 75 anos. No início parece uma diferença muito grande, mas depois torna-se muito interessante ver os mais novos aproximarem-se dos mais velhos, ouvirem as suas histórias e criarem relações. No final acaba por existir uma dinâmica muito bonita entre todos.”

Redes sociais inspiram, mas não substituem um agente

O Instagram tornou-se uma das principais ferramentas de comunicação da Euforia Glam Viagens, funcionando não apenas como montra de destinos, mas também como fonte de inspiração para futuros viajantes.

“No nosso Instagram não mostramos apenas fotografias. Mostramos experiências, hotéis, destinos e tentamos fazer com que as pessoas se sintam naquele lugar antes mesmo de viajarem.”

A presença digital tem, reconhece, influência direta na atividade comercial da agência.“Influencia bastante. As pessoas gostam de visualizar aquilo que as espera e isso ajuda-as a escolher o destino.”

Ainda assim, estabelece uma distinção clara entre o papel dos criadores de conteúdo e o trabalho desenvolvido por um agente de viagens. “O criador de conteúdo inspira. O agente de viagens tem a responsabilidade de garantir que a viagem corre bem.”

Segundo explica, essa diferença torna-se evidente quando surgem imprevistos.

“O agente conhece os hotéis, conhece os operadores, sabe resolver situações quando há voos cancelados, atrasos ou problemas durante uma viagem. Quem cria conteúdo mostra o destino, mas não assume essa responsabilidade.”

Entre a perceção mediática e a realidade dos destinos

Especializada em mercados como Egito, Marrocos, México, Cabo Verde e Ilha do Sal, Cátia Rodrigues admite que a atual instabilidade internacional influencia algumas decisões dos viajantes, sobretudo devido à forma como determinados acontecimentos são retratados.

“É natural que algumas pessoas tenham receio porque todos os dias ouvem falar dos conflitos no Médio Oriente. Muitas vezes nem têm noção das distâncias entre os locais onde existem conflitos e os destinos para onde vão viajar.”

Para tranquilizar os participantes de uma viagem ao Egito, chegou mesmo a recorrer a um mapa para explicar a localização das zonas de conflito e pediu a um parceiro local que enviasse vídeos diários das ruas.

“As pessoas viam imagens reais e percebiam que estava tudo tranquilo. Às vezes a informação é tanta e acaba por ser tão ampliada que as pessoas deixam de saber em que acreditar.”

Na sua opinião, essa perceção nem sempre corresponde à realidade: “Por vezes as situações são empoladas em demasia e isso cria medo e ansiedade nas pessoas.”

México continua a ser o destino de eleição

Entre todos os países que conhece, o México continua a ocupar um lugar especial.“É um destino muito completo. Tem cultura, aventura, praias, espiritualidade e uma herança maia muito rica. Dá resposta a perfis muito diferentes de viajantes.”

Considera, contudo, que os portugueses ainda exploram pouco essa diversidade: “Muitas vezes limitam-se ao hotel, à praia e a Chichén Itzá, quando existem inúmeras experiências que poderiam conhecer”, rematou.

Já entre os destinos que mais a surpreenderam recentemente destaca Djerba, na Tunísia.“Surpreendeu-me muito pela organização e pela qualidade da estrutura hoteleira. Achei que encontraria uma realidade diferente.”

Acredita, por isso, que o destino continuará a crescer junto do mercado português: “Pela proximidade com Portugal e pelos preços praticados atualmente, acredito que o turismo em Djerba ainda vai aumentar bastante.”

Consolidar a marca antes de dar novos passos

Com pouco mais de um ano de atividade, a prioridade continua a ser consolidar a marca em Portugal, embora admita que existem planos para desenvolver novos projetos no futuro.

“O objetivo é que a Euforia seja reconhecida como uma marca sólida, associada à confiança e à informação que transmite, e não apenas às viagens de grupo. Queremos criar memórias, ligações verdadeiras e fazer com que cada viajante leve um pouco do destino consigo e deixe também um pouco de si em cada lugar.”

Mesmo quando viaja em lazer, admite que já não consegue desligar completamente da profissão.

“Tenho sempre tendência para observar tudo. Entro num hotel e penso logo em que cliente iria gostar daquele espaço ou daquela experiência. Mas já não vejo isso como trabalho. Faz parte da minha forma de estar e da minha forma de olhar para o mundo.”