Nem só de história se faz a Jamaica de hoje. A Chukka — hoje uma das maiores operadoras de atividades e aventura da ilha — nasceu pelas mãos de um grupo de amigos que jogava polo e decidiu transformar essa paixão em negócio. Chegou a estar perto de fechar portas, mas tornou-se um dos parceiros mais relevantes do turismo de experiência jamaicano, com propostas que vão da tirolesa aos passeios a cavalo pela costa.
Nos últimos anos, o país viu nascer centenas de empresas de tours e experiências turísticas que procuram dar a conhecer o país de forma mais próxima e dinâmica, aproximando os turistas aos locais e tirando partido das belezas naturais da ilha. Dança e música, culinária, tours históricos e atividades desportivas entre cascatas e montanhas são algumas das inúmeras propostas para desfrutar ao longo dos 365 dias de sol na Jamaica. De acordo com um estudo do Hope Research Group, o turismo de aventura já atrai 35% dos visitantes na Jamaica enquanto propostas mais holísticas, ligadas à saúde e bem estar representam 15% das experiências realizadas. Regiões como Green Island, Negril, Falmouth, Ocho Rios ou Montego Bay destacam-se pela forte concentração de experiências, sem contar naturalmente com a capital, Kingston, onde é possível visitar a casa museu onde viveu o cantor Bob Marley.
À mesa com a Jamaica
Perceber a Jamaica é também uma questão de paladar. O jerk — carne de frango ou de porco marinada em pimenta scotch bonnet, tomilho, pimenta da Jamaica e canela, depois grelhada lentamente sobre lenha de pimenteiro — não é apenas um prato: é quase uma filosofia, presente em qualquer esquina, desde as barracas de estrada em Boston Bay, no Portland, até aos restaurantes mais sofisticados de Kingston. O picante chega devagar e fica — como a própria ilha.
O prato nacional, porém, é outro: ackee com bacalhau salgado, uma combinação improvável entre um fruto de textura cremosa, quase amanteigada, e o peixe seco típico da herança colonial britânica, que se serve ao pequeno-almoço com banana verde cozida e “festival” — uma espécie de bolo frito e adocicado. Há ainda as patties, empanadas de massa amarela recheadas com carne picante, vendidas em qualquer padaria de bairro e devoradas a qualquer hora do dia.
Num workshop de gastronomia local, aprendi que a cozinha jamaicana não se ensina só com receitas — ensina-se pela porção de picante que cada um defende como a “certa”, numa discussão tão apaixonada como a que se tem sobre música. E depois há o rum, destilado na ilha há séculos, servido puro, em cocktails ou simplesmente derramado sobre gelo com uma rodela de lima — uma combinação perfeita para acompanhar um dia de sol e sal.
A não perder
Green Island
Bambuza Park — Nos 19 hectares do interior verde de Green Island, o programa é de pura adrenalina: ATV entre caminhos de cascalho e lama, tirolesa e passeios a cavalo
pelas margens do rio, com direito a uma cascata natural para arrefecer no final. É a face mais “aventureira” da Jamaica, a poucos minutos de Negril.
Negril
WAVZ Beach / Workshop de tambor e dança — Antes de sentir o reggae nos ouvidos, aprende-se a senti-lo nas mãos: um workshop de percussão e dança tradicional jamaicana, com tambores a marcar o ritmo à beira-mar com a energia e boa disposição da equipa de “Calbert Brooks and the All-Star Drummers”.
Glass Bottom Boat Tour — Um passeio de barco de fundo transparente sobre os recifes de coral de Negril, onde é ainda possível mergulhar para admirar peixes tropicais e formações coralinas.
Rick’s Café — Talvez o pôr do sol mais fotografado da Jamaica: um bar suspenso sobre falésias de 10 metros, onde os mais aventureiros se atiram para o mar enquanto o céu muda de cor e o reggae é rei ao som da música de bandas que ali tocam ao vivo. Aberto desde 1974, é uma das atracções mais famosas do país.
Falmouth
Rose Hall Great House Tour — A mansão georgiana do século XVIII onde viveu Annie Palmer, a lendária “Bruxa Branca”, acusada de ter matado três maridos. Entre a história daquela que foi uma das maiores propriedades produtoras de açúcar e lenda macabra, é uma das visitas mais procuradas da Jamaica — sobretudo à noite, à luz das velas ou até, pasme-se, para a realização de casamentos.
The Falmouth Market — Ao ar livre, debaixo de lonas azuis que aliviam o calor, encontram-se frutas e vegetais a preços muito mais baixos do que nos supermercados e zonas turísticas. Uma experiência única para conhecer e conviver com as comunidades locais.
Montego Bay
Chukka Good Hope — bamboo rafting — Um passeio tranquilo de jangada de bambu, conduzida à vara por um “capitão” local, pelas águas calmas do rio Martha Brae. O contraponto perfeito à adrenalina de outras experiências disponíveis no local e que termina com uma deliciosa massagem local com argila.
Luminous Lagoon Tour — De noite, a água da lagoa de Falmouth ilumina-se de azul ao mais pequeno movimento — um fenómeno de bioluminescência raro no mundo, causado por microrganismos que reagem ao toque. Uma das experiências mais surpreendentes e marcantes da ilha. No final, um espectáculo gratuito de pirotecnia entretém os turistas que se deixam ficar no local para jantar.
Créditos: Visit Jamaica.
Hampden Rum Tour — A mais antiga destilaria em funcionamento na Jamaica, fundada em 1753, ainda usa alambiques de cobre e um processo de fermentação quase inalterado há séculos. A prova final, claro, é do rum “overproof” que sai de lá — um dos mais premiados do mundo.
Ocho Rios
Yaaman Adventure Park — tour e aula de culinária — Numa antiga plantação do século XVIII, o programa combina passeio de trator pelos terrenos e uma aula de culinária jamaicana com chef local — a introdução perfeita ao jerk antes de o provar na rua. Desfrute das vistas incríveis na floresta e com vista para o mar, enquanto percorre centenárias árvores, algumas delas plantadas por artistas e políticos famosos como Winston Churchill.
Dunn’s River Falls — A icónica subida às cascatas com uma distância total de 183 metros, percorrida de mãos dadas em cadeia humana. Talvez a experiência mais visitada de todo o Caribe e um ritual quase obrigatório para quem visita Ocho Rios.
Informações úteis
Como chegar: Voos semanais diretos entre Lisboa e Montego Bay, operados pela World2Fly (Airbus A330-300), integrados em pacotes vendidos através do operador turístico Newblue e das principais agências de viagens portuguesas.
Quando ir: A época seca, entre dezembro e abril, é a mais procurada. Janeiro e fevereiro somam ainda o atrativo das celebrações das comunidades Maroon.
Rita Montez (texto e fotografias)*
*A jornalista viajou a convite da NewBlue e da Secretaria do Turismo da Jamaica.





