Apesar das pressões económicas e geopolíticas, o turismo na Europa continua forte na segunda metade de 2026. Segundo o mais recente relatório da Comissão Europeia de Viagens (ETC), 81% dos europeus planeiam viajar entre junho e novembro — um aumento de 4% face ao ano anterior —, com especial destaque para a faixa etária dos 45 aos 54 anos. A maioria (64%) prefere ficar pelo continente e 55% tencionam fazer duas ou mais viagens nos próximos seis meses.
O Sul da Europa e o Mediterrâneo continuam a ser os destinos favoritos de 61% dos viajantes, com a Espanha (14%), Itália (12%), França (8%) e Grécia (7%) na liderança. Ainda assim, 52% dos inquiridos preferem locais menos conhecidos, motivados pela vontade de evitar multidões e o excesso de turismo.
Na hora de escolher o destino, os fatores decisivos são a segurança (20%), o clima agradável (15%) e as promoções (14%). Em contrapartida, as maiores preocupações são a subida dos custos de viagem (22%) e a situação financeira pessoal (17%). O panorama geopolítico também pesa: a preocupação com o conflito no Médio Oriente duplicou para 14%, enquanto a guerra na Ucrânia preocupa 11% dos turistas.
O avião continua a ser o meio de transporte preferido de 53% dos viajantes, e o verão mantém-se como a época alta, concentrando 86% das deslocações entre junho e setembro. Quanto ao orçamento, o escalão mais comum situa-se entre os €1.500 e os €2.500, direcionado sobretudo para alojamento, alimentação e atividades.
O clima ganhou um peso inédito no planeamento: 76% dos europeus admitem que as questões climáticas influenciam o seu comportamento, com muitos a procurar temperaturas mais amenas ou a evitar o calor extremo. Além disso, dois em cada três viajantes afirmam que alterariam os seus planos em caso de alertas de segurança ou fenómenos meteorológicos extremos. Como resume Miguel Sanz, presidente da ETC, os europeus não estão a viajar menos, mas sim de forma mais consciente e ponderada.





