Olha, mas que ralação, quem é que este rapazinho da Lufthansa pensa que é para estragar o desfile de moda à rapariga, a achar que um top de ginástica e uns calções de licra colados ao corpo são o equivalente a andar em trajes de Adão e Eva pelo aeroporto fora?
De certeza que o homem estava com inveja dos abdominais da influencer ou então nunca foi à praia de Carcavelos em pleno agosto, porque se visse o que por lá anda, caía-lhe o queixo e tinha um chilique ali mesmo no balcão de embarque.
Mas pronto, agora a sério e pondo as coisas na nossa perspetiva bem tuga, junta-te aqui ao balcão e ouve bem esta pérola, porque isto é de rir do início ao fim e mostra bem que a mesquinhice não escolhe passaportes.
Uma famosa influenciadora alemã do mundo do fitness -pelo menos lá na terra -, que põe meio milhão de seguidores a fazer agachamentos nas redes sociais, ia toda lampeira a caminho do avião com aquela fardamenta típica de quem vai correr a maratona ou fazer um manguito ao calor que se fazia sentir, quando esbarra de frente com a autoridade máxima do civismo germânico disfarçada de funcionário de aeroporto.
O homem, munido de uma sensibilidade que faria inveja a uma beata da província, achou que a rapariga estava a desafiar os bons costumes e decidiu que ela estava “nua”, mandando-a encostar às boxes como se fosse uma criminosa do bom gosto até se tapar com uma farda considerada “normal”.
A jovem lá teve de ir escarafunchar a mala de cabine para sacar de um casaco e só a deixaram pôr os pés no avião quando fechou o fecho-éclair até ao queixo, num calor de rachar, enquanto mesmo ali ao lado passavam hordas de marmanjos em tronco nu, vermelhos que nem lagostas e a cheirar a cerveja barata depois de uma semana de pódios em Maiorca, sem que ninguém lhes dissesse um “ai”.
A Lufthansa, claro, já veio sacudir a água do capote com aquela conversa diplomática do costume, dizendo que as palavras do funcionário não são bem os padrões da casa, mas que há que manter o decoro e respeitar as várias culturas a bordo, enquanto na internet o povo se divide entre os que gritam que isto é uma opressão ao corpo feminino e os que defendem que o assento do avião não é um tapete de ioga e que convém levar alguma pele tapada para não ficar colado ao plástico.
No meio de toda esta comédia, até os especialistas em aviação já vieram dar o seu bitaite técnico, avisando que andar de cuecas no avião é meio caminho andado para ficar com o rabiosque esfolado se for preciso escorregar pelas mangas de emergência. O que vale é que, entre protestos e fechos-éclair bem puxados, a rapariga lá seguiu viagem e nós ficámos com mais uma história daquelas que, discutidas com uma bica e um pastel de nata na mão, nos fazem pensar que o mundo está mesmo virado do avesso e que já nem no ar se pode andar à vontade.





