A Beijing Capital Airlines inaugurou uma nova rota direta entre o Aeroporto Internacional de Pequim Daxing e Lisboa, uma ligação que operará durante cerca de três meses. O voo inaugural partiu da capital chinesa às 10:55 e aterrou em solo português às 17:15 (hora local), marcando a primeira ligação direta entre o aeroporto de Daxing e a capital portuguesa.
Esta rota, que tem uma duração aproximada de 13 horas, será assegurada semanalmente, às segundas-feiras, através de aeronaves Airbus A330 de fuselagem larga. Portugal reforça assim a sua conectividade com o gigante asiático, somando esta rota à ligação regular já existente entre Lisboa e Hangzhou — capital da província de Zhejiang —, operada duas vezes por semana pela mesma companhia desde a retoma das viagens após o fim da política chinesa de “zero covid”.
Até agora, não existiam voos diretos regulares entre Lisboa e Pequim, sendo as viagens habitualmente feitas com escalas em hubs europeus ou no Médio Oriente.
O anúncio desta rota surge, aliás, num contexto geopolítico complexo marcado por tensões no Médio Oriente envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão, o que motivou o cancelamento de vários voos que faziam escala nessa região.
Em contrapartida, o aeroporto de Daxing tem estado em forte expansão desde o início do ano, inaugurando rotas diretas para Helsínquia, Frankfurt e Milão, alargando a sua rede europeia conforme avançado pelo jornal oficial chinês Global Times.
Esta expansão das ligações aéreas diretas entre os dois países acontece também num momento de assimetrias operacionais profundas no setor da aviação. As companhias aéreas chinesas continuam a beneficiar do acesso ao espaço aéreo russo, um privilégio vedado às transportadoras europeias devido às sanções impostas a Moscovo na sequência da invasão da Ucrânia. Esta exclusividade traduz-se em rotas consideravelmente mais curtas e custos operacionais mais baixos para as empresas chinesas nos voos entre a Ásia e a Europa, conferindo-lhes uma vantagem competitiva crucial face às congéneres europeias, que são obrigadas a contornar a Rússia, aumentando o tempo de voo e o consumo de combustível.
Financiada e fundada em 2010 pelo Governo Municipal de Pequim e pelo Grupo de Aviação HNA, a Capital Airlines tem um historial sólido no mercado português, tendo sido a responsável por inaugurar a primeira ligação aérea direta entre a China e Portugal em 2017. Logo no ano de estreia, a companhia transportou mais de 80 mil passageiros, registando uma taxa média de ocupação que se fixou nos 80% nos meses de menor fluxo e que superou os 95% durante a época alta.





