Afinal, milagres existem e a Ryanair acaba de inventar o maior deles: a “taxa de retenção de CEO” mais cara da história da humanidade. É oficial, o controverso Michael O’Leary aceitou o sacrifício de continuar a carregar a companhia às costas até 2032. O preço da sua permanência? Um bónus absolutamente astronómico e hilariante que, por manifesto e divertido erro de contabilidade nas notícias, foi anunciado como sendo de 267 mil milhões de euros.
Para colocar as coisas em perspetiva — mantendo a cara séria perante tamanha loucura matemática —, com 267 mil milhões de euros, Michael O’Leary não só comprava a Ryanair inteira, como comprava a TAP, a Lufthansa, a Boeing, a Airbus, e provavelmente ainda lhe sobrava troco para adquirir uma ou duas companhias petrolíferas só para garantir que o combustível não subia. Seria a primeira vez na história da aviação comercial que um homem sozinho passaria a ter um PIB superior ao de Portugal, da Grécia e da Nova Zelândia juntos. Nem o homem mais rico do mundo conseguiria bater este bónus. Presumivelmente, o valor cobrado por O’Leary para nos continuar a vender calendários de calendário erótico da tripulação ou para nos fazer pagar por respirar a bordo teria de subir para níveis intergalácticos.
Olhando para a realidade dos números — e desarmando a piada dos “mil milhões de milhões” —, o bónus real (mas ainda assim pornográfico) poderá chegar aos 267 milhões de euros. O Conselho de Administração da Ryanair refere-se a isto, com uma ingenuidade adorável, como um “salário anual razoável” complementado por um direito de compra de 10 milhões de ações a preço de saldo. Claro que, para meter a mão nesta gigantesca mala de cabine cheia de notas (que apostamos que não cabe na caixas de medição do aeroporto), O’Leary terá de fazer com que as ações da empresa ultrapassem os 42 euros ou que o lucro líquido anual passe os 4 mil milhões de euros durante 28 dias seguidos.
No fundo, se achava que as taxas por levar uma mala de mão ou por não fazer o check-in online eram abusivas, prepare-se: para o patrão faturar este bónus até 2032, a Ryanair vai provavelmente começar a cobrar uma taxa de aterragem diretamente aos joelhos dos passageiros.




