A TAP decidiu reforçar a sua emissão de obrigações seniores para 350 milhões de euros, o que representa um aumento de 50 milhões face ao montante inicialmente previsto, fixando a taxa de juro em 4,750% com vencimento programado para 2031.
Esta operação, cujas obrigações serão emitidas a um preço de 99,44951% e com liquidação financeira prevista para o dia 26 de junho, destina-se exclusivamente a investidores profissionais e contrapartes elegíveis, ficando vedada ao investidor de retalho. O dinheiro arrecadado será canalizado para finalidades societárias gerais e para o pagamento de comissões e despesas da própria operação.
A companhia aérea portuguesa alertou ainda que estes títulos não foram nem serão registados no regulador dos mercados financeiros dos Estados Unidos, a SEC, pelo que não podem ser transacionados naquele país sem o respetivo registo ou isenção legal.
Este movimento financeiro ganha uma relevância acrescida por acontecer precisamente uma semana após a TAP ter anunciado a conclusão formal do exigente plano de reestruturação que tinha sido acordado com a Comissão Europeia em 2021, um passo que foi consolidado após a venda das suas participações na Cateringpor e na SPdH, a antiga Groundforce.
Atualmente, a transportadora encontra-se num processo crucial de privatização parcial, estando gigantes da aviação como a Air France-KLM e a Lufthansa na corrida para apresentar propostas vinculativas até ao final de julho.
O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, adiantou recentemente que o Governo prevê escolher o vencedor até setembro, abrindo a porta para que o grupo selecionado assuma a cogestão da empresa ainda em 2026, mesmo antes da entrada efetiva no capital, que só deverá acontecer no verão de 2027 após o aval de Bruxelas.
Para além destes factos, importa contextualizar que esta forte procura do mercado e o consequente aumento da emissão de dívida refletem uma recuperação assinalável da confiança dos investidores na TAP.
Após anos de forte contestação pública e política devido à injeção de cerca de 3,2 mil milhões de euros de dinheiros públicos para a salvar da falência durante a pandemia, a empresa conseguiu inverter o rumo financeiro e apresentar lucros recorde consistentes nos últimos anos.
Esta estabilidade operacional e financeira, aliada à localização estratégica do “hub” de Lisboa como a principal porta de ligação europeia para a América do Sul (especialmente o Brasil) e África, torna a TAP um ativo altamente estratégico e apetecível no xadrez da aviação europeia, justificando o forte interesse dos consórcios internacionais e a capacidade da empresa em financiar-se diretamente nos mercados com condições mais favoráveis do que no passado recente.





