Após vários anos de recuperação contínua, o tráfego aéreo europeu voltou a terreno negativo em abril. Segundo a ACI Europe, o número de passageiros movimentados nos aeroportos do continente diminuiu 0,7% face ao mesmo mês de 2025, naquela que representa a primeira quebra homóloga desde a retoma iniciada após a pandemia.
A associação europeia de aeroportos atribui esta inversão a uma combinação de fatores, entre os quais o impacto do conflito no Médio Oriente, que tem pressionado os custos operacionais das companhias aéreas, o diferente calendário da Páscoa e o enfraquecimento da procura em alguns dos principais mercados, com destaque para a Alemanha.
Apesar da tendência global negativa, o desempenho não foi uniforme. Os aeroportos dos países da União Europeia, juntamente com Reino Unido, Noruega, Islândia e Liechtenstein, conseguiram manter uma evolução positiva, com um aumento de 0,6% no número de passageiros. Em contrapartida, os mercados europeus fora deste grupo sofreram uma retração de 7,6%.
Entre os maiores mercados do continente, Espanha destacou-se pelo crescimento de 3,7%, seguida da Itália, com uma subida de 2,2%. Já a Alemanha apresentou a contração mais significativa, ao perder 8,5% do tráfego de passageiros. Também França e Reino Unido registaram resultados negativos.
Nos países da UE+, os maiores aumentos verificaram-se na Eslováquia, Malta, Eslovénia, Estónia e Polónia. No extremo oposto surgem Chipre, Islândia, Áustria e Suíça, que registaram as quedas mais expressivas.
A instabilidade no Médio Oriente teve igualmente repercussões em vários mercados próximos da região. Israel foi o caso mais evidente, com uma redução superior a 70% no número de passageiros. Turquia, Geórgia e Azerbaijão também encerraram abril com resultados abaixo dos registados um ano antes.
Ao nível das infraestruturas aeroportuárias, os aeroportos espanhóis continuaram a apresentar uma evolução favorável. Barcelona e Madrid voltaram a aumentar o volume de passageiros, acompanhando a tendência de crescimento observada em Málaga e Palma de Maiorca. Entre os aeroportos europeus de menor dimensão, Tirana e Charleroi estiveram entre os que registaram os maiores avanços.
Os dados divulgados pela ACI Europe marcam, assim, uma pausa no ritmo de recuperação do setor da aviação no continente, num contexto marcado por incertezas geopolíticas e por sinais de desaceleração em alguns mercados-chave.





