Reunida no Rio de Janeiro, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) divulgou os resultados de um inquérito que revela um forte apoio dos passageiros à descarbonização do transporte aéreo, ao mesmo tempo que voltou a alertar para o ritmo insuficiente de produção de combustíveis sustentáveis para a aviação (SAF), considerados essenciais para atingir a meta de emissões líquidas nulas até 2050.
Segundo o estudo realizado em abril de 2026, 66% dos passageiros afirmam estar dispostos a pagar mais para compensar as emissões associadas às suas viagens, enquanto 89% consideram que a aviação deve continuar a reduzir as suas emissões mesmo que os governos diminuam os seus esforços nesta área.
Os resultados mostram ainda que a sustentabilidade está a influenciar cada vez mais as escolhas dos viajantes. Quase metade dos passageiros (48%) afirma analisar as emissões de carbono quando escolhe um voo e, entre estes, mais de 85% reconhecem que essa informação influencia a decisão final. Cerca de três quartos indicam ainda preferir companhias aéreas com melhor desempenho ambiental.
Quando questionados sobre a melhor utilização dos recursos destinados à sustentabilidade, os passageiros demonstram uma clara preferência por soluções de redução efetiva das emissões. A utilização de combustíveis sustentáveis para a aviação (SAF) surge como a opção mais valorizada, indicada por 25% dos inquiridos, seguida pelas tecnologias de redução de emissões (23%). Em contraste, apenas 10% apontam os impostos ou taxas como prioridade.
Apesar deste apoio dos passageiros, a IATA considera que a produção de SAF continua muito aquém do necessário. Segundo as estimativas divulgadas pela associação, a produção global deverá atingir cerca de 2,4 milhões de toneladas em 2026, representando apenas 0,8% do combustível consumido pela aviação mundial.
“Parece que este será mais um ano dececionante para a produção de SAF. Cinco anos após o compromisso de alcançar emissões líquidas nulas até 2050, a produção de SAF representará apenas 0,8% do consumo de combustível das companhias aéreas este ano”, afirma Willie Walsh.
A organização estima que a utilização de SAF represente um custo de cerca de 4,3 mil milhões de dólares para as companhias aéreas este ano e defende uma maior coordenação entre governos, produtores de energia e indústria aeronáutica para acelerar o desenvolvimento deste mercado.
A IATA voltou também a manifestar preocupação com as metas para os chamados e-SAF, combustíveis sintéticos produzidos a partir de eletricidade renovável. A União Europeia e o Reino Unido exigem uma produção de cerca de 600 mil toneladas até 2030, mas a capacidade atualmente em operação ou em construção ronda apenas 20 mil toneladas anuais.
“Os objetivos para 2030 definidos pelo Reino Unido e pela União Europeia não são apenas irrealistas; estão completamente desligados da realidade”, refere Marie Owens Thomsen, defendendo que a produção de energia renovável e a capacidade industrial devem ser desenvolvidas antes da imposição de metas obrigatórias.





