A China está a consolidar a sua posição como uma das maiores potências mundiais do turismo e poderá tornar-se a principal economia global do setor nos próximos anos, caso mantenha a atual trajetória de crescimento. A conclusão consta da mais recente edição do estudo Economic Impact Research (EIR) do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC).
Segundo os dados divulgados pela WTTC, o setor das viagens e turismo na China cresceu 9,9% em 2025, atingindo um impacto económico de 1,8 biliões de dólares (cerca de 1,66 biliões de euros), mais do dobro da média mundial, que se situou nos 4,1%.
O desempenho foi impulsionado por uma forte recuperação da procura internacional. Em 2025, a China recebeu mais de 68 milhões de visitantes estrangeiros, um aumento de 15,5% face ao ano anterior, quase três vezes superior ao crescimento global de 5,4%. As receitas provenientes do turismo internacional cresceram 10,5%, alcançando 135 mil milhões de dólares, ultrapassando os níveis registados antes da pandemia.
De acordo com a WTTC, a China registou mais nove milhões de chegadas internacionais do que em 2024, o maior aumento absoluto observado em qualquer país do mundo.
A recuperação tem sido apoiada por medidas de facilitação de vistos, que atualmente abrangem mais de 50 países, permitindo estadias sem visto até 30 dias e períodos de trânsito alargados até 10 dias. Desde 2020, as chegadas provenientes de mercados isentos de visto multiplicaram-se por cinco.
Paralelamente, o país tem investido fortemente na melhoria da experiência dos visitantes, através da implementação de sistemas biométricos nos pontos de entrada, da generalização de plataformas digitais de pagamento e da expansão das infraestruturas de transporte, incluindo ligações aéreas e ferroviárias de alta velocidade.
A WTTC destaca ainda os investimentos em novas zonas turísticas, atrações culturais e parques temáticos, que têm contribuído para diversificar a oferta turística e reforçar a competitividade internacional do destino.
Durante uma visita à China, a presidente e CEO da WTTC, Gloria Guevara, sublinhou o papel crescente do país no turismo mundial. “A recuperação da China demonstra como reformas políticas direcionadas podem traduzir-se diretamente num aumento da procura turística e num crescimento sustentado. A continuidade das medidas de facilitação de vistos será fundamental para manter este dinamismo”, afirmou.
As perspetivas para a próxima década mantêm-se muito positivas. A WTTC prevê um crescimento de 5,3% em 2026 e uma taxa média anual de 6,5% até 2036. Nesse horizonte, o contributo económico do setor poderá quase duplicar, atingindo 3,5 biliões de dólares.
O emprego acompanhará esta evolução. Depois de ter sustentado 84,6 milhões de postos de trabalho em 2025, o setor deverá ultrapassar os 103 milhões de empregos até 2036, representando um em cada cinco novos empregos turísticos criados a nível mundial durante a próxima década.
A China deverá ainda recuperar a liderança mundial no turismo emissor. O gasto dos turistas chineses no estrangeiro deverá crescer 22,5% em 2026, aproximando-se dos 280 mil milhões de dólares e ultrapassando os Estados Unidos. O país ocupa igualmente a segunda posição mundial nas viagens de negócios, com despesas estimadas em 192 mil milhões de dólares.





