A Câmara Municipal de Peniche vai passar a controlar a totalidade das receitas geradas pela taxa de acesso à Reserva Natural das Berlengas, após a assinatura de um protocolo com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). O acordo prevê também a transferência para o município dos valores arrecadados nos últimos quatro anos, num montante próximo dos 700 mil euros.
Com esta alteração, a autarquia passa a dispor de mais recursos para financiar intervenções na ilha, nomeadamente ao nível do abastecimento de água, melhoria de acessos, requalificação de infraestruturas sanitárias e outras obras consideradas prioritárias para reforçar a experiência dos visitantes e a preservação do território.
O entendimento entre as duas entidades contempla ainda a aplicação de uma parte das receitas em projetos de conservação ambiental, com 10% dos fundos a serem direcionados para ações de proteção e recuperação dos valores naturais da reserva.
Até agora, o modelo de cogestão da área protegida previa que apenas 60% da receita obtida através da taxa de visitação revertesse para o município. Com o novo enquadramento, Peniche passa a beneficiar da totalidade dos montantes cobrados aos visitantes.
Entre os investimentos já identificados para as Berlengas estão a melhoria dos percursos pedestres, intervenções nos sistemas de saneamento e abastecimento de água, soluções de energia sustentável e trabalhos de requalificação das infraestruturas portuárias utilizadas no embarque e desembarque de passageiros.
Durante a reunião de câmara realizada esta sexta-feira, o presidente do município, Filipe de Matos Sales, revelou ainda que o parque de campismo da ilha deverá reabrir em junho, com um aumento da capacidade entre 15% e 20%.
Em vigor desde 2022, a taxa de visitação às Berlengas tem um valor de três euros por dia, com reduções aplicáveis a crianças, jovens e seniores, enquanto os residentes no concelho de Peniche mantêm a isenção.
A Berlenga está sujeita desde 2019 a um limite diário de 550 visitantes em simultâneo, uma medida destinada a reduzir a pressão turística sobre este território protegido, distinguido como Reserva Mundial da Biosfera pela UNESCO.





