Verão perde fôlego na hotelaria portuguesa

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Os hoteleiros portugueses antecipam um verão de 2026 mais difícil do que o do ano passado, prevendo uma quebra na ocupação, na estada média e nos proveitos totais, apesar de um aumento esperado no preço médio por quarto, segundo o inquérito “Balanço Páscoa e Perspetivas Verão 2026”, da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), baseado em 328 empreendimentos turísticos inquiridos entre 27 de abril e 17 de maio.

“Estamos a ser prudentemente realistas”, afirmou a vice-presidente executiva da AHP, Cristina Siza Vieira.

Ocupação e estada média em queda, preços sobem mas não compensam

Os principais indicadores operacionais apontam para uma evolução globalmente negativa face a 2025. A taxa de ocupação regista um saldo de respostas negativo, com 50% dos inquiridos a anteciparem pior desempenho e apenas 22% a esperarem melhoria.

Também a estada média segue a mesma tendência, com 41% dos hoteleiros a preverem resultados inferiores ao verão anterior e apenas 13% a anteciparem evolução positiva.

Nos proveitos totais, cerca de 40% dos empresários antecipam quebras, enquanto 32% esperam melhorias. Em contrapartida, o preço médio por quarto (ARR) é o único indicador com sinal positivo, com 43% dos inquiridos a prever aumentos e 30% a antecipar descidas.

Ainda assim, a AHP sublinha que a subida de preços não deverá compensar a quebra de volume. “Mesmo que o preço suba do quarto, porque a taxa de ocupação diminui e porque a estada média também diminui, os consumos na hotelaria poderão vir a quebrar”, referiu Cristina Siza Vieira.

Mercado português perde peso relativo

O mercado nacional mantém-se entre os três principais emissores para 68% dos inquiridos, mas recua cerca de 10 pontos percentuais face ao ano anterior. “Para nós é a primeira vez que isto acontece”, admitiu a responsável da AHP.

Entre os mercados externos, o Reino Unido reforça posição (58%), seguido de Espanha (42%) e dos Estados Unidos (40%). A Alemanha surge com 35% e o Brasil destaca-se ao quase duplicar a sua relevância, passando de 12% para 28%.

Reservas com sinais mistos por regiões

Apesar do cenário cauteloso, as reservas já efetuadas mostram alguma resiliência, sobretudo na Madeira, Açores e Algarve, que continuam entre as regiões com melhor desempenho antecipado.

Para junho, a Madeira regista reservas acima de 83%, seguida dos Açores (79%) e do Algarve (64%). Em julho e agosto, estas regiões mantêm a liderança, com destaque para os Açores em agosto, com cerca de 75%.

Riscos aumentam incerteza do verão

A instabilidade económica e geopolítica surge como principal preocupação, referida por 71% dos hoteleiros, seguida do aumento dos custos operacionais (38%) e dos custos de transportes (35%).

A capacidade aeroportuária também é apontada como risco relevante por 37% dos inquiridos, com especial incidência nos constrangimentos em Lisboa.

Perspetiva global: cautela apesar da resiliência

No conjunto, o setor antecipa um verão mais pressionado do ponto de vista da procura e dos resultados, ainda que com algum aumento de preços.

Apesar disso, o nível de confiança dos hoteleiros no turismo nacional subiu para 7,4 pontos (numa escala de 0 a 10), refletindo uma visão globalmente estável, mas marcada por incertezas.

“Na globalidade, as perspetivas dos hoteleiros são de quebra relativa do verão de 2026 perante o verão de 2025”, sintetizou Cristina Siza Vieira.