A capacidade do aeroporto de Lisboa continua a ser o principal desafio para o transporte aéreo em Portugal no período de verão, numa altura em que se prevê um aumento da procura e uma maior pressão sobre os sistemas de controlo fronteiriço.
O responsável Rafael Schvartzman, vice-presidente regional da IATA para a Europa, considerou que a infraestrutura aeroportuária da capital opera atualmente muito próxima dos seus limites, situação que poderá agravar-se durante os meses de maior movimento turístico.
Entre os fatores de preocupação está também a implementação do Sistema de Entrada/Saída da União Europeia (EES), que introduziu novos procedimentos digitais de controlo de fronteiras e tem contribuído para o aumento dos tempos de espera nos aeroportos europeus. No caso português, Rafael Schvartzman considera que o impacto tem sido particularmente significativo.
O responsável defendeu a necessidade de reforçar a flexibilidade operacional para responder a eventuais constrangimentos relacionados com tecnologia, capacidade instalada ou disponibilidade de recursos humanos, incluindo os serviços de controlo fronteiriço.
Para a IATA, a questão central passa pela capacidade do sistema aeroportuário nacional para absorver o crescimento da procura sem comprometer a experiência dos passageiros. Nesse sentido, o responsável apontou que a qualidade de serviço atualmente prestada no aeroporto de Lisboa está abaixo do desejável.
Rafael Schvartzman recordou ainda os dados divulgados pela Eurocontrol relativos a 2025, que colocaram o Aeroporto Humberto Delgado como o menos pontual, nas partidas, entre os 30 principais aeroportos europeus analisados, com uma taxa de pontualidade inferior a 51%.
Segundo dados apresentados recentemente pela IATA, o transporte aéreo gera um impacto económico estimado em 20,2 mil milhões de dólares na economia portuguesa, o equivalente a cerca de 7,1% do Produto Interno Bruto, sustentando aproximadamente 335 mil postos de trabalho.
O responsável destacou igualmente a forte dependência internacional do mercado português, sublinhando que a maioria das viagens aéreas realizadas no país tem origem ou destino fora de Portugal, com a Europa a concentrar a maior parte dessas ligações. Nesse contexto, reforçou a importância estratégica do turismo, setor que representa cerca de 12% da economia nacional. Lusa.






