A ofensiva militar de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, ainda não resolvida, tem pesado sobre a aviação comercial há meses, fazendo com que o setor de transporte aéreo apresente uma volatilidade incomum.
Assim, a demanda total, medida em passageiros-quilómetro pagos (RPKs), caiu 3,4% em abril em comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA). Levando em conta que o mesmo indicador, quando exclui o Médio Oriente do cálculo, mostra um aumento de 1,2% na demanda, tudo aponta para o conflito geopolítico como o principal responsável pelo revés.
Uma das maiores consequências dos ataques ao Irão foi o aumento no preço do querosene de aviação. O custo do combustível para aviões mais que dobrou em abril, impactando diretamente as tarifas aéreas. Segundo Willie Walsh, diretor-geral da IATA, os dados previstos no calendário mostram uma redução no fornecimento para os próximos meses, o que indica que as companhias aéreas estão a tentar equilibrar os altos custos do combustível com uma demanda mais fraca.
Na divisão desses dados por áreas geográficas, a situação enfrentada pelo setor torna-se ainda mais evidente. Enquanto as companhias aéreas do Oriente Médio sofreram uma queda drástica de 48,1% na demanda em relação ao ano anterior — acompanhada por uma redução de 38,4% na capacidade e um fator de ocupação de 70,1% —, as empresas da América Latina alcançaram um crescimento de 8,9% na demanda ano a ano, com alta de 7,2% na capacidade e uma taxa de ocupação de 84,6%.
Em um patamar intermediário, as companhias aéreas europeias registaram um leve aumento de 0,9% na demanda anual, enquanto as norte-americanas mantiveram o indicador estável, sem altas ou quedas. Embora o foco da retração esteja concentrado no Médio Oriente, vale notar que, apesar de o tráfego ter sido profundamente afetado pela guerra em andamento no Irão, o declínio desacelerou um pouco a partir de março, período em que um cessar-fogo instável entrou em vigor.






