A ACI Europe manifestou forte oposição à decisão do Governo do Reino Unido de avançar com medidas de flexibilização na utilização de slots aeroportuários durante as temporadas de verão e inverno de 2026.
A associação considera que a medida foi adotada sem que exista evidência de escassez de combustível de aviação nos aeroportos britânicos ou europeus e numa altura em que a procura por viagens aéreas continua elevada.
Segundo a ACI Europe, o executivo britânico ignorou as recomendações da European Airport Coordinators Association, entidade responsável pela coordenação dos slots aeroportuários na Europa. As orientações da organização já preveem mecanismos que permitem às companhias aéreas justificar o não cumprimento das regras de utilização de slots em situações específicas relacionadas com comprovadas falhas no abastecimento de combustível.
O diretor-geral da ACI Europe, Olivier Jankovec, afirmou que a associação apoia medidas de flexibilização quando existem problemas efetivos de abastecimento, mas considera que não há atualmente provas que justifiquem uma derrogação generalizada das regras.
Para a entidade, a decisão concede às companhias aéreas maior liberdade para reduzir operações sem perder os respetivos slots, transferindo os impactos para passageiros, aeroportos e comunidades dependentes da conectividade aérea.
A associação alerta ainda que os aeroportos regionais poderão ser os mais afetados, uma vez que as ligações de alimentação aos grandes hubs tendem a ser menos rentáveis para as transportadoras e poderão ser alvo de cancelamentos com maior frequência.
A ACI Europe critica igualmente o facto de a flexibilização abranger desde já a temporada de inverno de 2026, prolongando-se até março de 2027. Na visão da organização, a medida resulta mais de uma necessidade administrativa do Governo britânico de aprovar a legislação antes do fim dos seus poderes legais para o fazer, do que de uma necessidade operacional comprovada.
Apesar das críticas, a associação considera positiva a possibilidade de os slots devolvidos pelas companhias poderem ser atribuídos a outras transportadoras. Para a ACI Europe, essa opção demonstra que existe procura suficiente para operar essas frequências, reforçando o argumento de que a medida não responde a limitações operacionais, mas sim a interesses comerciais das companhias aéreas já instaladas.






