Os Açores registaram em abril a sétima descida consecutiva da atividade turística, com o número de dormidas nos alojamentos turísticos a cair 12,3% face ao mesmo mês de 2025. Os dados divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA) levaram a Associação de Alojamento Local dos Açores (ALA) a defender a adoção de medidas urgentes para travar a perda de competitividade do destino.
No conjunto da hotelaria, alojamento local e turismo no espaço rural, a região contabilizou 344,3 mil dormidas e 104,3 mil hóspedes, representando quebras homólogas de 12,3% e 12,1%, respetivamente. A estada média fixou-se nas 3,3 noites.
A situação é particularmente preocupante no alojamento local, segmento que representa mais de 60% da capacidade de alojamento turístico da região. Em abril, as dormidas neste segmento diminuíram 22,1%, enquanto o número de hóspedes recuou 24,9%, naquele que foi o primeiro mês completo após a saída da Ryanair dos Açores.
A ALA considera que os números confirmam os alertas que tem vindo a fazer sobre o abrandamento do turismo regional e avisa que a tendência já não pode ser encarada como um fenómeno pontual. A associação destaca ainda que 37,7% dos estabelecimentos de alojamento local ativos não registaram qualquer movimento de hóspedes durante o mês de abril, um agravamento de 8,6 pontos percentuais face ao período homólogo.
Apesar de reconhecer o reforço de operações por parte da Azores Airlines e da TAP, a associação entende que a atual oferta aérea não está a compensar a perda de conectividade internacional nem a redução da concorrência no mercado, fatores que têm contribuído para o aumento dos custos das viagens para o arquipélago.
Perante este cenário, a ALA defende um reforço extraordinário do investimento na promoção turística externa ainda durante 2026, com especial enfoque na captação de procura para a época baixa e para o arranque da operação turística de 2027. A associação propõe igualmente contratos-programa plurianuais para a promoção turística da região e a aceleração da implementação do Fundo de Desenvolvimento de Rotas Aéreas.
Nos primeiros quatro meses do ano, os Açores acumularam 868,7 mil dormidas, menos 7,7% do que no período homólogo. Em sentido contrário ao registado no arquipélago, o turismo nacional cresceu 0,6% em abril.
A hotelaria concentrou 57,5% das dormidas registadas no mês, seguida pelo alojamento local, com 38,4%, e pelo turismo em espaço rural, com 4,1%. Enquanto a hotelaria recuou 3,1%, as quebras atingiram 22,1% no alojamento local e 23,9% no turismo rural.
Entre os mercados externos, os Estados Unidos mantiveram-se como principal emissor de turistas para os Açores, registando um crescimento de 11,5% nas dormidas, seguidos pela Alemanha, que aumentou 7,3%. Já o mercado espanhol apresentou uma quebra expressiva de 37,2%.
São Miguel concentrou cerca de 72% das dormidas registadas na hotelaria e alojamento local, mas foi também uma das ilhas mais afetadas pela retração da procura, com uma descida homóloga de 13,5%. Apenas Flores, Faial e Graciosa registaram aumentos no número de dormidas durante o mês de abril.






