De acordo com as estatísticas mais recentes publicadas pelo Instituto Nacional de Estatística, o setor do alojamento turístico nacional registou uma dinâmica positiva no primeiro trimestre do ano, com os proveitos totais a atingirem a marca histórica de mil milhões de euros, o que representa um crescimento homólogo de 5,5%, enquanto os proveitos associados especificamente ao aposento subiram 5,1%, fixando-se nos 734,5 milhões de euros.

Esta evolução financeira foi sustentada pelo fluxo de 5,8 milhões de hóspedes, traduzindo um acréscimo de 1,5%, que resultaram num total de 13,6 milhões de dormidas, um avanço de 1,3% em termos homólogos.

A análise detalhada da origem dos viajantes revela que os não residentes continuam a ser o principal motor da atividade, tendo as suas dormidas aumentado 1,4% para um volume de 9,2 milhões, o equivalente a 68% da procura global, ao passo que o mercado interno também demonstrou vitalidade ao crescer 1,2%, alcançando as 4,3 milhões de dormidas.

A dependência em relação aos mercados internacionais revelou-se geograficamente assimétrica, sendo particularmente expressiva na Região Autónoma da Madeira, onde representou 85,9% do total de dormidas, seguida de perto pelo Algarve com 80,9% e pela Grande Lisboa com 78,6%, um cenário que contrasta com as regiões do Centro e do Alentejo, que registaram as menores taxas de dependência externa, fixando-se respetivamente em 23,5% e 32,1%.

Em termos de concentração geográfica global, a Grande Lisboa liderou a captação de dormidas nos primeiros três meses com uma quota de 28,6%, secundada pelo Norte com 18,9% e pelo Algarve com 18,5%.

Quando observados os padrões de comportamento por mercado, verifica-se que os turistas residentes manifestaram uma preferência clara pela região Norte, que absorveu 24,6% das suas dormidas, enquanto a Grande Lisboa foi o destino predileto dos visitantes estrangeiros, concentrando 33,1% do seu volume total.

É contudo importante salvaguardar, tal como aponta o organismo estatístico, que estes resultados globais do trimestre inicial podem refletir o efeito de calendário associado à mobilidade da época da Páscoa, que neste ano em análise se celebrou no final de março, ao contrário do ano transato em que ocorreu apenas em meados de abril.

No que respeita à tipologia de alojamento eleita, a hotelaria tradicional manteve a liderança indiscutível ao assegurar 83,1% do total de dormidas, registando uma progressão homóloga de 2,0%, ao passo que o alojamento local recolheu uma quota de 13,9% após um recuo de 2,8%, e o turismo no espaço rural e de habitação, embora com uma expressão mais contida de 3,0%, verificou uma subida de 2,9%.

Relativamente à segmentação por nacionalidades, a vizinha Espanha assumiu o estatuto de principal mercado emissor em cinco das regiões nacionais, com destaque para o Oeste e Vale do Tejo, onde representou 23,1% das noites de não residentes, seguindo-se o Centro, o Alentejo, o Norte e a Península de Setúbal, enquanto os Estados Unidos da América se posicionaram como o principal mercado externo na Região Autónoma dos Açores e também na Grande Lisboa.

Noutros polos turísticos de relevo, o Reino Unido manteve a sua tradicional liderança no Algarve, assegurando 29,2% das dormidas internacionais, enquanto a Alemanha se destacou como o principal mercado na Região Autónoma da Madeira com uma quota de 25,4%. Ao nível dos indicadores de rentabilidade do setor, o rendimento médio por quarto disponível fixou-se nos 41,5 euros no conjunto do trimestre, o que equivale a um aumento homólogo de 1,5%, ao mesmo tempo que o preço médio por quarto ocupado avançou 2,7% para se situar nos 93,8 euros.

No plano regional, a Madeira destacou-se com o valor mais elevado de rentabilidade por quarto disponível ao registar 77,4 euros, seguida pela Grande Lisboa com 67,3 euros, tendo os crescimentos mais vigorosos neste indicador ocorrido na própria Madeira e no Alentejo.

Quanto ao preço médio por quarto ocupado, a Grande Lisboa e a Madeira lideraram a tabela com valores de 115,9 euros e 114,1 euros, respetivamente, destacando-se a ilha atlântica por um expressivo crescimento de 10,5% nesta métrica.

Numa perspetiva ainda mais alargada, que engloba não apenas os estabelecimentos de alojamento turístico mas também os parques de campismo, as colónias de férias e as pousadas da juventude, contabilizaram-se globalmente 6,0 milhões de hóspedes e 14,5 milhões de dormidas, traduzindo um crescimento idêntico de 0,8% em ambos os indicadores.

Por fim, no panorama laboral do setor, os dados revelam que a remuneração bruta mensal por trabalhador nas atividades de alojamento registou uma subida homóloga de 5,0%, fixando-se em 1.351 euros, um ritmo de crescimento que acompanhou a tendência da média da economia nacional, embora o valor absoluto se mantenha 259 euros abaixo do rendimento global verificado no total dos restantes setores económicos.