Obras em Castelo de Bode adiadas para 2027 para reduzir impacto no turismo

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As obras de manutenção nos descarregadores da Barragem de Castelo de Bode foram adiadas para 2027, decisão que foi recebida com satisfação pela Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo e pelos operadores turísticos da região, que ganham mais tempo para preparar os impactos associados à descida do nível da albufeira.

A intervenção, promovida pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e pela EDP, deverá decorrer entre junho e outubro de 2027 e implicará a redução temporária da albufeira para níveis abaixo da cota 105, correspondente a cerca de 56% da capacidade total de armazenamento.

Segundo o presidente da CIM Médio Tejo, Manuel Jorge Valamatos, os municípios e empresários do setor tinham sido informados “com pouca antecedência” sobre os trabalhos inicialmente previstos para este ano, pelo que o adiamento permitirá planear melhor a resposta da região.

O responsável defendeu que este período adicional poderá ser aproveitado para executar melhorias nas infraestruturas ligadas ao turismo náutico, apontando como exemplo a criação e adaptação de rampas de acesso para embarcações, tendo em conta os níveis reduzidos da água.

A operação de manutenção irá incidir sobre os descarregadores de cheias da barragem e inclui trabalhos de substituição do sistema de estanquidade, tratamento anticorrosivo e reparação de componentes estruturais.

A APA justificou o adiamento com a necessidade de garantir um planeamento mais adequado por parte dos municípios e restantes entidades envolvidas. O presidente da agência, Pimenta Machado, sublinhou que a intervenção é considerada essencial para assegurar a segurança, fiabilidade e sustentabilidade da infraestrutura a longo prazo.

Durante o período das obras, ficará garantido o abastecimento de água para consumo humano, incluindo o fornecimento à EPAL, bem como a manutenção do caudal ecológico do rio Tejo, os lançamentos para jusante e a produção de energia elétrica, segundo a APA.

A Barragem de Castelo de Bode é uma das principais infraestruturas hídricas do país e desempenha um papel estratégico tanto no abastecimento de água como no turismo do Médio Tejo. A albufeira, criada em 1951 no rio Zêzere, abastece atualmente cerca de três milhões de pessoas e estende-se por vários concelhos, entre os quais Tomar, Abrantes, Ferreira do Zêzere, Vila de Rei, Sertã, Sardoal e Figueiró dos Vinhos.