O grupo Lufthansa vai avançar em junho com o aumento da participação na ITA Airways, passando dos atuais 41% para 90% do capital da transportadora italiana, numa operação avaliada em 325 milhões de euros.
A decisão foi aprovada pelo conselho de supervisão da companhia alemã e depende agora da autorização da Comissão Europeia e do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. A conclusão do processo está prevista para o primeiro trimestre de 2027, altura em que a ITA Airways deverá ficar totalmente integrada na estrutura operacional e financeira do grupo Lufthansa.
A companhia alemã entrou no capital da transportadora italiana em janeiro de 2025, na sequência do acordo firmado em 2023 com o Ministério da Economia e Finanças de Itália. Após esta nova operação, o Estado italiano manterá uma participação residual de 10%, que deverá ser adquirida pela Lufthansa em 2028.
O CEO do grupo alemão, Carsten Spohr, afirmou que o processo de integração da ITA Airways está a avançar mais rapidamente do que o previsto, referindo que várias áreas operacionais e de relacionamento com clientes já funcionam de forma integrada entre as duas companhias.
Também o presidente executivo da ITA Airways, Jörg Eberhart, considerou que a integração permitirá reforçar a competitividade da companhia nos mercados internacionais. Segundo a Lufthansa, apenas os processos ligados aos voos para a América do Norte continuam pendentes de aprovação regulatória.
Apesar do reforço da presença em Itália, o grupo alemão garante que a operação não altera o interesse na privatização da TAP Air Portugal.
À margem das comemorações dos 45 anos de operação da Lufthansa no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, o CEO da Lufthansa Ground Services Portugal, Paulo Geisler, assegurou que a integração da ITA “em nada invalida” o processo da TAP.
O responsável rejeitou ainda a possibilidade de um eventual reforço do hub de Milão poder reduzir a importância estratégica de Lisboa dentro do grupo, defendendo que todas as operações da Lufthansa são complementares.
Paulo Geisler lembrou também que a TAP integra há cerca de duas décadas a Star Alliance e destacou a importância do mercado português para o grupo alemão, sublinhando que a Lufthansa nunca interrompeu os voos para o Porto, incluindo durante a pandemia.
Questionado sobre os cerca de 20 mil cancelamentos de voos anunciados pela Lufthansa até outubro, devido ao aumento dos custos do combustível provocado pela instabilidade no Médio Oriente, o gestor afirmou que o impacto em Portugal “foi zero” e garantiu que o abastecimento de combustível está assegurado para os próximos meses.
A Lufthansa e o grupo Air France-KLM permanecem na corrida à privatização da TAP, depois de a IAG, dona da Iberia e da British Airways, ter desistido do processo.






