O grupo alemão Lufthansa reiterou que mantém intacto o interesse na privatização da TAP Air Portugal, mesmo num contexto de pressão sobre os custos operacionais provocada pela instabilidade no Médio Oriente.
Durante a apresentação dos resultados do primeiro trimestre, o CEO Carsten Spohr sublinhou que a estratégia do grupo não sofreu alterações, defendendo que a integração da companhia portuguesa permitiria reforçar a presença num mercado onde ainda tem menor expressão: a América do Sul.
Segundo o responsável, a operação da TAP seria determinante para equilibrar o posicionamento do grupo face a outros operadores europeus, sobretudo no Brasil. A combinação das várias marcas do grupo, incluindo Lufthansa e Swiss, com a transportadora portuguesa criaria uma rede mais robusta naquela região.
Além da operação aérea, o gestor destacou que Portugal está no radar da Lufthansa para outros investimentos ligados à aviação. Entre eles, a abertura de uma unidade da Lufthansa Technik em Santa Maria da Feira e a possibilidade de instalar no país uma escola de aviação destinada à Força Aérea alemã e parceiros da NATO.
Apesar do impacto da conjuntura internacional, nomeadamente no aumento do preço dos combustíveis, o grupo garante que mantém o foco nas prioridades definidas. A empresa já apresentou uma proposta não vinculativa para a TAP e confirma a intenção de avançar para a próxima fase do processo.
Os resultados do primeiro trimestre mostram uma redução dos prejuízos, com perdas de 665 milhões de euros, abaixo dos 885 milhões registados no mesmo período do ano anterior. Ainda assim, o grupo alerta para o agravamento dos custos em 2026, estimando um impacto adicional significativo associado às restrições no fornecimento de combustível.
A Lufthansa integra, juntamente com o grupo Air France-KLM, o lote de interessados na privatização da companhia portuguesa. Já o grupo IAG, dono da Iberia e da British Airways, ficou fora da corrida.
O processo prevê a venda de até 49,9% do capital da TAP, com o Governo a avaliar propostas com base em critérios como preço, plano industrial, conectividade e solidez financeira. A decisão final deverá ser tomada até ao final do verão.






