O grupo Lufthansa reduziu os prejuízos no primeiro trimestre de 2026 e manteve as metas financeiras para o conjunto do ano, apesar do impacto da crise no Médio Oriente no preço do combustível de aviação.
Entre janeiro e março, a companhia aérea alemã registou perdas líquidas de 665 milhões de euros, melhorando face aos 885 milhões de euros negativos registados no mesmo período de 2025. Também o resultado operacional ajustado apresentou evolução positiva, passando de -722 milhões para -612 milhões de euros.
As receitas do grupo cresceram 8%, atingindo 8,7 mil milhões de euros, o valor mais elevado de sempre para um primeiro trimestre, período tradicionalmente mais fraco para a aviação devido à menor procura sazonal.
A Lufthansa alertou, no entanto, que o encerramento do Estreito de Ormuz está a provocar dificuldades no abastecimento de querosene e um aumento significativo dos preços do combustível, situação que poderá representar um impacto adicional de cerca de 1,7 mil milhões de euros ao longo de 2026.
Apesar deste cenário, o grupo sublinha que cerca de 80% das necessidades de combustível para este ano já estão protegidas através de instrumentos financeiros de cobertura (‘hedging’), reduzindo parcialmente a exposição à volatilidade dos preços.
Em comunicado, o presidente executivo do grupo, Carsten Spohr, admitiu que a situação no Médio Oriente representa um desafio significativo para a aviação mundial, mas considerou que a Lufthansa mantém uma posição resiliente, graças à diversificação operacional e à estrutura multi-hub do grupo.
Nas companhias aéreas de rede — Lufthansa, Swiss, Austrian Airlines e Brussels Airlines — o prejuízo operacional ajustado melhorou em 135 milhões de euros, fixando-se nos 605 milhões negativos. A taxa de ocupação subiu para 81,9%, impulsionada pela forte procura registada em março, sobretudo nas rotas para a Ásia e África.
O grupo ajustou ainda a operação para responder às alterações da procura, reforçando voos em alguns mercados internacionais. Já a Eurowings suspendeu temporariamente algumas ligações para a região do Golfo, agravando o prejuízo operacional do segmento ponto-a-ponto.
Fora da operação de passageiros, a Lufthansa Cargo melhorou os resultados operacionais para 83 milhões de euros, beneficiando do aumento da capacidade e da valorização do transporte de carga aérea.
Já a Lufthansa Technik, divisão de manutenção aeronáutica do grupo, manteve resultados próximos dos registados no ano passado, numa altura em que prepara a abertura de uma unidade em Santa Maria da Feira.
Apesar das incertezas ligadas ao combustível e à situação geopolítica, a Lufthansa mantém a previsão de alcançar em 2026 um resultado operacional ajustado acima dos 1.960 milhões de euros registados em 2025.
O grupo alemão continua também entre os candidatos à privatização parcial da TAP, juntamente com a Air France-KLM.






