O Banco Nacional de Angola disponibilizou, desde o início de 2026, mais de 105 milhões de dólares em divisas para responder a pendentes financeiros das companhias aéreas que operam no país, numa medida destinada a estabilizar o funcionamento do setor.
De acordo com o regulador, a maior parte deste montante foi injetada em abril, mês em que foram liquidadas todas as operações reportadas pelos bancos comerciais, num total superior a 94 milhões de dólares. A intervenção, classificada como excecional, teve como objetivo garantir a continuidade das operações e evitar impactos na conectividade internacional.
O banco central sublinha ainda que, para além destas ações diretas, as transportadoras têm recorrido ao sistema bancário comercial para aceder a moeda estrangeira, num esforço conjunto para responder às necessidades do setor.
As dificuldades no acesso a divisas têm sido um dos principais constrangimentos enfrentados pelas companhias aéreas em Angola. A Autoridade Nacional da Aviação Civil de Angola já tinha alertado para os entraves à repatriação de receitas, num contexto marcado por flutuações cambiais e forte dependência externa de bens e serviços aeronáuticos.
A pressão financeira agravou-se nos últimos meses, com o aumento expressivo do preço do combustível. O Jet A1 registou uma subida superior a 100% entre março e abril, contribuindo para elevar os custos operacionais das transportadoras.
Neste enquadramento, algumas operações têm sido ajustadas. A Turkish Airlines anunciou recentemente a suspensão temporária dos voos para Luanda entre maio e setembro, decisão que o Governo angolano associa sobretudo ao impacto da conjuntura internacional nos custos de operação.
A atuação do banco central surge, assim, como uma medida de curto prazo para mitigar constrangimentos financeiros e assegurar a continuidade do transporte aéreo, num contexto ainda marcado por instabilidade económica e pressão sobre os custos.






