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Marco Sequeira avança à liderança da APAVT sem lista fechada, mas com estratégia definida

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Com mais de 30 anos de experiência no setor das viagens e turismo, Marco Sequeira apresentou oficialmente a sua candidatura à presidência da APAVT, defendendo uma nova fase para a associação, mais próxima das empresas, mais técnica e com maior capacidade de execução.

O agora candidato integra atualmente a administração da Alive Travel, onde exerce funções como Chief Operations Officer Europe, sendo também membro da administração da GEA Aviação (ACE). Ao longo do seu percurso, passou por empresas como a Viagens Abreu, a Top Atlântico – Espírito Santo Viagens e a Viagens El Corte Inglés.

A apresentação decorreu hoje, em conferência de imprensa, onde Marco Sequeira surgiu acompanhado por Carlos Baptista, da Bestravel (Grupo Newtour), Pinto Lopes, da Pinto Lopes Viagens, Duarte Correia, da W2M, e Fátima Silva, da Globalis. Estas presenças denotam um claro espírito de continuidade, tratando-se de nomes que transitam da atual direção da associação, liderada por Pedro Costa Ferreira.

Apesar da formalização da candidatura, um dos elementos mais relevantes deste arranque é precisamente a ausência de uma lista para os órgãos sociais. Certo é que Marco Sequeira avançou sem rede formalizada, mas com uma linha estratégica já bastante clara — algo que o próprio procurou evidenciar ao longo do discurso.

Não é, no entanto, uma candidatura que surja de surpresa. Marco Sequeira vinha há muito sendo apontado como sucessor natural, designadamente pela sua presença cada vez mais assídua em eventos do setor e pelo destaque crescente nas comunicações da própria APAVT.

Questionado sobre a circunstância de o novo escritório da associação se situar no mesmo edifício da Alive Travel, o candidato indicou tratar-se do resultado de uma conversa ocorrida aquando da mudança de instalações, num momento em que a associação procurava uma nova morada.

“Venho propor método. Venho propor trabalho. Venho propor escuta. Venho propor unidade”, afirmou, assumindo uma candidatura que procura responder a um setor em rápida transformação e a desafios cada vez mais complexos.

Sem romper com o passado, fez questão de reconhecer o ciclo anterior, sublinhando que a APAVT “atravessou um ciclo muito relevante da sua história”, marcado pela afirmação institucional e pela defesa do setor em momentos críticos como a pandemia e a recuperação subsequente. Ainda assim, deixou claro que o momento atual exige uma nova abordagem: “Há momentos em que a mudança não é uma rutura. É uma responsabilidade.”

A candidatura apresenta-se como um projeto de unidade, mas com ambição reformista, defendendo uma associação simultaneamente influente e operacional, capaz de atuar nos centros de decisão — do Governo a Bruxelas — mas também no terreno, junto das PME e microempresas em todo o país.

Entre as prioridades, destaca-se a criação de uma APAVT mais descentralizada e próxima dos associados, com fóruns regionais regulares e maior capacidade de resposta aos problemas concretos das empresas. “O país turístico não cabe numa avenida de Lisboa”, sublinhou.

O programa assume também uma forte aposta na modernização do setor, com especial enfoque na digitalização e na inteligência artificial, defendendo que estas não podem ser um privilégio das grandes empresas nem um fator de exclusão para as mais pequenas.

No plano da distribuição aérea, Marco Sequeira defende uma posição “firme e equilibrada”, apoiando a inovação, mas rejeitando modelos que transfiram custos e complexidade para as agências. “Inovação sim, discriminação não”, sintetizou.

A candidatura dá ainda destaque à necessidade de reforçar a valorização do agente de viagens, contrariando narrativas sobre o declínio da profissão. “O agente de viagens não é uma figura do passado. É um profissional do futuro”, afirmou.

“Não venho prometer soluções fáceis. O setor é demasiado complexo para slogans simples”, concluiu, assumindo uma candidatura assente na construção coletiva e na preparação do futuro.