Portugal entre os destinos favoritos dos europeus (ETC)

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O sul da Europa consolidou a sua posição como o destino predileto dos viajantes europeus para as temporadas de primavera e verão de 2026.

De acordo com o mais recente relatório da European Travel Commission (ETC), a procura por países como Portugal e Espanha registou um aumento conjunto de 17% face ao ano anterior, sinalizando o maior interesse em viajar desde 2020. No ranking das preferências, a Espanha lidera com 14% das intenções de viagem, seguida de perto pela Itália (11%) e França (8%), enquanto Portugal e Grécia partilham a quarta posição, atraindo cada um 6% dos turistas do continente.

Este renovado otimismo no setor é impulsionado sobretudo pelas gerações mais jovens, com os viajantes entre os 18 e os 34 anos a demonstrarem um aumento significativo na vontade de explorar novos destinos. No entanto, este entusiasmo é acompanhado por uma postura de maior cautela. O relatório da ETC revela que, embora os europeus queiram viajar mais, estão a fazê-lo de forma diferente: as estadias tornaram-se mais curtas, com a permanência de quatro a seis noites a ser agora a opção mais frequente (38%), em detrimento das férias mais longas que dominavam o mercado anteriormente.

O atual cenário geopolítico e económico molda decisivamente estas escolhas. A segurança emergiu como o critério fundamental na seleção de um destino, sobrepondo-se à estabilidade climática e às ofertas promocionais. As tensões no Médio Oriente têm gerado uma preocupação crescente, subindo nove pontos percentuais nas sondagens, enquanto o aumento dos custos das viagens continua a ser o principal obstáculo para 20% dos inquiridos. Esta conjuntura reflete-se nos orçamentos, com um número crescente de turistas a optar por gastos mais moderados, estabelecendo um teto de até mil euros para as suas deslocações.

Segundo Miguel Sanz, presidente da ETC, o mercado está a assistir a uma transição para um modelo de consumo mais seletivo. Em declarações citadas pela Europa Press, o responsável sublinha que os viajantes estão agora focados na relação qualidade-preço, privilegiando planos flexíveis e uma gestão rigorosa do orçamento. Assim, apesar da incerteza global, o turismo no sul da Europa demonstra resiliência, adaptando-se a um novo perfil de viajante que, embora mais ponderado, não abdica de visitar os destinos tradicionais do Mediterrâneo e da costa atlântica portuguesa.