A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) destaca em comunicado que o setor da restauração em Portugal atravessa um momento paradoxal: mantém-se como um dos pilares da economia nacional, do emprego e da atratividade turística, mas fá-lo num contexto de pressão estrutural crescente, de margens severamente comprimidas e de encerramentos silenciosos, sobretudo entre micro e pequenas empresas familiares.
Nesse sentido, a AHRESP manifestou recentemente a sua preocupação quanto à situação do setor, alertando que os dados estatísticos globais não refletem a crise vivida por muitos negócios.
No referido comunicado, a associação sublinhou a necessidade de as políticas públicas considerarem a realidade prática de quem gere estas empresas, especialmente os microempresários, que enfrentam grandes dificuldades em ajustar os seus preços perante o aumento dos custos operacionais e a diminuição da procura. A AHRESP defende que, para preservar um setor tão vital para a economia, é crucial olhar para além das médias e reconhecer o impacto direto da pressão sobre as margens de lucro.
Esta posição surge como uma resposta indireta às afirmações do governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, que recorreu a dados estatísticos para questionar a existência de uma crise no setor, destacando um crescimento nominal expressivo desde 2019 e uma subida no volume de negócios em 2025. Contudo, a associação contesta esta visão puramente numérica, que tinha sido anteriormente reforçada pela secretária-geral Ana Jacinto ao solicitar apoios urgentes. Embora o Governo tenha anunciado em janeiro medidas de apoio financeiro através do Turismo de Portugal, a AHRESP lamenta que estas nunca tenham sido concretizadas, deixando as empresas sem o auxílio prometido para a reestruturação de dívidas.
O cenário atual é descrito pela associação como sendo de pressão estrutural e encerramentos silenciosos, afetando predominantemente as pequenas estruturas familiares. Apesar de os dados do INE mostrarem um setor com dezenas de milhar de empresas e centenas de milhar de trabalhadores, a AHRESP recorda que a grande maioria são microempresas e empresários em nome individual. Esta fragmentação torna as análises agregadas insuficientes para captar os problemas reais de negócios de proximidade que, além do valor económico, desempenham um papel social fundamental, sendo muitas vezes os únicos pontos de referência em comunidades de baixa densidade populacional.






