Até meados deste século, os céus europeus deverão ser atravessados por uma frota de 20.000 aeronaves sustentáveis.
Esta é a meta central traçada pela Aliança para a Aviação com Emissões Zero (AZEA), uma rede que une mais de duas centenas de gigantes do setor — da Airbus à EasyJet, passando por reguladores e fornecedores de energia — sob o desígnio de transformar radicalmente a forma como voamos.
O plano, desenhado sob a égide da Comissão Europeia, projeta que a partir das próximas duas décadas mais de metade dos novos aviões no mercado utilizem propulsão limpa, começando pelos modelos de pequeno porte e expandindo-se para soluções elétricas, híbridas e movidas a hidrogénio.
Embora o rigoroso processo de certificação possa estender-se por quase uma década, a expectativa é que os primeiros voos comerciais com estas tecnologias decolem num horizonte de apenas cinco anos. No entanto, esta transição não é apenas uma questão de sustentabilidade ambiental; é um movimento estratégico de soberania e independência.
Ao trocar os combustíveis fósseis pela eletricidade e pelo hidrogénio renovável, a Europa procura libertar-se da dependência energética de nações externas e da volatilidade geopolítica, especialmente num setor que atualmente mantém reservas de combustível para apenas seis semanas.
A revolução tecnológica estende-se também ao campo da defesa, onde a propulsão elétrica promete transformar a logística militar. Inspirada pela eficácia dos drones operados em cenários de conflito atuais, como na Ucrânia, a aposta em sistemas elétricos oferece vantagens táticas cruciais: aeronaves mais silenciosas, de difícil deteção e com menor rasto térmico.
Para sustentar este ecossistema até 2050, a Europa precisará de produzir anualmente 1,5 milhões de toneladas de hidrogénio renovável e mobilizar cerca de 4% da sua produção elétrica, um esforço que exigirá um robusto apoio financeiro nos próximos orçamentos da União Europeia.





