A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) alertou para uma redução relevante da oferta de lugares aéreos para os Açores no verão de 2026, num contexto marcado pela saída da Ryanair da região e pela ausência de substituição equivalente por outras companhias.
Segundo a associação empresarial, a capacidade global nas cinco principais “gateways” do arquipélago deverá recuar 11,57% face ao mesmo período de 2025, o que corresponde a menos cerca de 130 mil lugares disponíveis.
O maior impacto verifica-se no aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada, que regista uma quebra superior a 110 mil lugares, traduzida numa descida de 851.907 para 739.252 assentos programados, o equivalente a uma redução de 13,22%.
A CCIPD refere que esta contração representa uma alteração estrutural na oferta aérea da região, sublinhando que a quebra não está a ser compensada por outras companhias, o que resulta numa diminuição efetiva da acessibilidade ao principal destino turístico açoriano.
Nos restantes aeroportos do arquipélago, a tendência é igualmente de descida, embora com menor expressão: a Terceira regista menos cerca de 19 mil lugares e Santa Maria perde aproximadamente 3 mil. Em contraciclo, o Pico e a Horta apresentam ligeiros aumentos, de cerca de 432 e 2.058 lugares, respetivamente.
Apesar desses crescimentos pontuais, a associação considera que não são suficientes para equilibrar a redução verificada em Ponta Delgada, onde se concentra a maior quebra de capacidade.
A CCIPD alerta ainda para possíveis impactos no emprego e na atividade turística sazonal, defendendo a necessidade de políticas ativas de captação de novas rotas e reforço da conectividade aérea da região.
A saída da Ryanair da operação nos Açores, confirmada no início do ano após o encerramento da sua base na região, é apontada como um dos principais fatores para esta redução de oferta.






