A TAP Air Portugal voltou a apresentar resultados positivos em 2025, alcançando o quarto ano consecutivo de lucro e reforçando a recuperação financeira numa fase em que decorre o processo de reprivatização. O resultado líquido fixou-se em 4,1 milhões de euros, embora a companhia indique que teria atingido 46 milhões sem impactos extraordinários relacionados com impostos. Já os números de 2024 foram revistos em baixa para 1,2 milhões de euros, abaixo dos 53,7 milhões inicialmente divulgados.
O resultado operacional anual recuou 7%, para 226,1 milhões de euros, mas o último trimestre mostrou uma recuperação expressiva, com um lucro de 36,9 milhões, depois de um prejuízo de 53,4 milhões no mesmo período do ano anterior. Segundo o CEO, Luís Rodrigues, o desempenho foi impulsionado pela procura sólida na segunda metade do ano e pela evolução positiva da área de manutenção.
A receita com passageiros manteve-se estável nos 3,85 mil milhões de euros, num ano em que a TAP transportou 16,7 milhões de passageiros, mais 3% do que em 2024, e aumentou o load factor para 84,2%. A manutenção destacou-se com um crescimento de 10%, atingindo 261 milhões de euros, contribuindo para uma subida global de 1,2% nas receitas, que totalizaram 4,31 mil milhões.
O ano ficou também marcado pelo fim das obrigações associadas ao plano de reestruturação pós-pandemia, na sequência da ajuda estatal de 3,2 mil milhões de euros aprovada pela Comissão Europeia em 2021, que implicou cortes de custos, venda de ativos e redução da frota. Em paralelo, avançou o processo de reprivatização, com o Governo português a lançar em setembro de 2025 a venda de 44,9% do capital. Grupos como Air France-KLM e Lufthansa já manifestaram interesse, estando agora em curso a avaliação para a apresentação de propostas vinculativas.
Para 2026, a TAP aponta para um crescimento controlado, com aposta no reforço das rotas transatlânticas. Estão previstas novas ligações para Curitiba, em julho, e São Luís do Maranhão, em outubro, aumentando para 15 os destinos no Brasil. A companhia vai também lançar voos para Orlando e transformar a rota Porto–Boston numa operação anual, integrada numa estratégia de expansão a partir do norte do país.
Apesar do contexto internacional marcado por incerteza, nomeadamente devido ao conflito no Irão, a transportadora mantém uma perspetiva positiva para 2026, sustentada por níveis elevados de procura, aumento das reservas e melhoria dos fatores de ocupação. O impacto da subida do preço dos combustíveis deverá ser parcialmente compensado por uma política de preços ajustada ao mercado e pela dinâmica da procura.






