As novas normas internacionais para o transporte de baterias portáteis em voos comerciais já estão em vigor desde 27 de março, introduzindo limitações uniformes à escala global que afetam diretamente a experiência do passageiro e os procedimentos operacionais das companhias aéreas.
Definidas pela Organização da Aviação Civil Internacional, as regras aplicam-se aos 193 países membros e estabelecem, pela primeira vez, um padrão internacional harmonizado para o transporte de power banks. Entre as principais medidas está a limitação a um máximo de dois dispositivos por passageiro em cabine, bem como a proibição do seu carregamento durante o voo.
As baterias deixam também de poder ser guardadas nos compartimentos superiores, devendo permanecer acessíveis, permitindo uma resposta mais rápida da tripulação em caso de sobreaquecimento ou ignição.
A decisão surge na sequência do aumento de incidentes relacionados com baterias de lítio a bordo. Dados da Federal Aviation Administration apontam para 38 ocorrências registadas apenas nos Estados Unidos até junho de 2025. Casos recentes, como um incêndio num voo da Air China e outro num avião da Air Busan, reforçaram a necessidade de regras mais restritivas.
Segundo a International Air Transport Association, os passageiros transportam, em média, até quatro dispositivos com baterias de lítio, o que pode representar mais de 1.800 equipamentos num único voo de grande capacidade, como um Airbus A380.
As novas diretrizes já estão a ser implementadas por várias companhias, incluindo Lufthansa, Emirates, Qatar Airways, Singapore Airlines, Air India, Cathay Pacific e British Airways, algumas das quais já tinham introduzido restrições semelhantes antes da decisão da ICAO.
Além da limitação no número de dispositivos, mantêm-se as regras relativas à capacidade: baterias até 100 Wh são permitidas sem autorização prévia, entre 100 Wh e 160 Wh requerem aprovação da companhia aérea e acima desse limite são proibidas em voos comerciais.
Para o setor, estas medidas implicam um reforço da comunicação ao longo de toda a jornada do passageiro, desde o momento da reserva até ao embarque, bem como ajustes operacionais ao nível do handling e dos procedimentos de segurança a bordo.
Com cerca de 44% dos passageiros a viajar com power banks, segundo dados da IATA, o impacto será significativo, podendo também acelerar o investimento em soluções de carregamento a bordo, incluindo em companhias de baixo custo.





