A associação ambientalista Zero considera que o Plano de Ação de Ruído 2024-2029 para o Aeroporto Humberto Delgado não oferece soluções eficazes para reduzir o impacto sonoro, afetando a saúde de mais de 370 mil pessoas na área metropolitana de Lisboa.
A análise do documento, atualmente em consulta pública até 5 de abril, destaca que o plano falha no financiamento ao isolamento de edifícios, prevendo apenas sete milhões de euros para medidas de mitigação. Além disso, as limitações de tráfego aéreo noturno não estão a ser aplicadas, comprometendo a eficácia global do plano.
Segundo a Zero, o impacto do ruído é estruturalmente insustentável, com 60 mil pessoas sujeitas a níveis noturnos acima dos limites legais. Comparações com o aeroporto de Madrid mostram que a operação lisboeta afeta 35 vezes mais pessoas, apesar de os investimentos em isolamento acústico em Espanha ultrapassarem 155 milhões de euros e terem intervencionado quase 13 mil habitações desde 2000.
A associação aponta também a ausência de compensações aos cidadãos afetados e de relatórios sobre a eficácia das medidas propostas. A Zero defende a revisão do plano, incluindo o isolamento acústico de todos os edifícios expostos a ruído noturno superior a 55 dB(A) e a implementação de uma taxa de ruído por passageiro, seguindo exemplos internacionais, como o de França.
No comunicado, a Zero lembra que, entre 2022 e 2024, a ANA registou lucros de 1.267 milhões de euros, enquanto os danos estimados causados pelos voos noturnos na Área Metropolitana de Lisboa foram avaliados em 206 milhões de euros por ano. A associação considera urgente uma resposta proporcional, baseada em evidências, que proteja a saúde pública e reduza o impacto ambiental e social do aeroporto.




