IATA Alerta: Custos elevados e regulação travam novas companhias aéreas

0

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) divulgou os dados do tráfego global de passageiros relativos a janeiro de 2026, revelando uma expansão contínua do setor, embora moderada por variações sazonais. O crescimento de 3,8% na procura total foi influenciado pela deslocação do Ano Novo Lunar para fevereiro, criando uma base de comparação anual mais exigente.

Perspetivas e Desafios para 2026

Apesar da desaceleração pontual em janeiro, os indicadores de capacidade apontam para uma aceleração no curto prazo. Prevê-se um aumento de 5,2% na oferta de assentos para março — o ritmo mais veloz desde abril de 2024.

Contudo, o diretor-geral da IATA, Willie Walsh, alertou para fatores de instabilidade ao explicar que “a volatilidade geopolítica do último fim de semana introduziu incerteza no tráfego e nos custos de combustível. É fundamental que os Estados garantam a segurança da aviação civil. Além disso, a baixa taxa de novas companhias aéreas (a menor desde 1999) é um ‘canário na mina de carvão’, sinalizando que custos de infraestrutura e encargos regulatórios estão a asfixiar a competitividade.”

Desempenho por Mercados

1. Mercados Internacionais

A procura internacional cresceu 5,9% face ao período homólogo, com o fator de ocupação a atingir um recorde histórico para o mês de janeiro (82,5%).

Região Crescimento Procura (RPK) Fator de Ocupação Notas
África +11,7% 77,4% Maior crescimento global.
Ibero-América +11,4% 86,5% Destaque para a eficiência de ocupação.
Médio Oriente +7,2% 83,2% Expansão sólida de capacidade (+7,8%).
Europa +6,3% 79,4% Crescimento acima da média global.
Ásia-Pacífico +4,4% 85,9% Impactada pelo calendário do Ano Novo Lunar.
América do Norte +3,4% 82,3% Crescimento moderado e estável.

2. Mercados Domésticos

O tráfego doméstico manteve-se praticamente estável (+0,1%), refletindo as quedas pontuais na China, Austrália e EUA devido ao efeito de calendário. Em contraste, o Brasil destacou-se com um desempenho robusto, registando um crescimento de 10,9% em relação ao ano anterior.

Resumo de Tendências

  • Tarifas: Expectativa de queda nos preços reais ao longo de 2026, apesar da pressão dos custos de transição energética.
  • Eficiência: O fator de ocupação global atingiu níveis recorde, demonstrando uma gestão de capacidade rigorosa pelas companhias.