Francisco Calheiros volta a pedir decisões sobre aeroporto e ferrovia para sustentar crescimento do turismo

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Presidente da CTP defende que o turismo continua a ser um motor da economia, mas alerta que o setor precisa de melhores infraestruturas, novas rotas e soluções para a falta de mão-de-obra para manter o ritmo de crescimento.

O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, voltou a defender a necessidade de decisões rápidas sobre infraestruturas estratégicas para o país, alertando que o crescimento do turismo dependerá cada vez mais da capacidade de resposta em áreas como aeroportos, ferrovia e conectividade aérea.

A posição foi expressa durante a abertura do 22.º Congresso da Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal (ADHP), que decorreu nos dias 5 e 6 de março, em Elvas, onde o responsável sublinhou que o turismo continua a apresentar resultados históricos, mas enfrenta desafios estruturais que exigem respostas políticas e empresariais.

“Nunca como no ano passado os turistas gastaram tanto dinheiro em Portugal”, afirmou, referindo que as receitas turísticas atingiram 29,4 mil milhões de euros em 2025, um crescimento de 6,1% face a 2024. Para Calheiros, estes números confirmam que “o motor do turismo continua bem oleado e com a força necessária para puxar a economia nacional”.

No entanto, o presidente da CTP alertou que a manutenção deste ritmo dependerá da capacidade do país em resolver constrangimentos antigos. “Tudo isto continuará a ser mais difícil sem um novo aeroporto, ou no mínimo sem uma solução intermédia”, afirmou, apelando ao Governo para acelerar decisões.

“Não haja receio em decidir, em ficar com o ónus da decisão ou em recuar um pouco”, disse, defendendo que uma solução transitória para a capacidade aeroportuária pode ser necessária enquanto não avança o aeroporto definitivo. Ao mesmo tempo, pediu que se acelere a modernização das ligações ferroviárias: “acabem-se com as burocracias desnecessárias e invista-se o dinheiro que existe para que o TGV e a modernização da ferrovia sejam uma realidade em Portugal”.

Hotelaria em crescimento, mas com desafios

No seu discurso, Francisco Calheiros destacou também o papel dos diretores de hotel no desempenho recente do setor, considerando que os resultados positivos da hotelaria contribuíram para o crescimento global do turismo.

“A hotelaria teve resultados muito positivos em 2025, ajudando ao crescimento do turismo no seu todo”, afirmou, acrescentando que a procura internacional e o interesse de grandes cadeias continuam a impulsionar investimento no país.

Ao mesmo tempo, lembrou que o contexto competitivo exige novas competências de gestão. “Num mercado cada vez mais competitivo e dinâmico, o diretor de hotel precisa de ser visionário”, disse, acrescentando que estes profissionais têm de acompanhar tendências tecnológicas, adaptar-se às novas exigências dos viajantes e “gerar valor para os acionistas, para os colaboradores, para os parceiros e, principalmente, para os clientes”.

Entre os desafios estruturais da atividade, o responsável voltou a referir a escassez de mão-de-obra, uma das principais preocupações da hotelaria. Segundo Calheiros, o setor tem procurado respostas através de iniciativas de integração de trabalhadores estrangeiros, como o programa “Integrar para o Turismo”, desenvolvido em parceria com o Turismo de Portugal e a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).

O objetivo é “identificar, formar e integrar migrantes para trabalharem na atividade turística, nomeadamente nos hotéis”, numa iniciativa que, segundo o presidente da CTP, demonstra que “o turismo é a melhor parceria público-privada do país”.

Mercado britânico abranda e reforço de novos mercados

Outro dos pontos destacados no discurso foi a evolução da procura internacional. Apesar de o mercado britânico continuar a liderar, Calheiros admitiu sinais de abrandamento, defendendo a necessidade de diversificar mercados.

“Sendo ainda líder, o mercado britânico tem estado a arrefecer, pelo que é necessário garantir novas rotas para captar novos mercados”, afirmou, apontando oportunidades na América Latina e a importância de consolidar o mercado norte-americano.

“Os Estados Unidos são um bom exemplo de mercado que gera valor e no qual temos de continuar a apostar”, disse, acrescentando que também o mercado asiático continua relevante, com destaque para países como China, Japão e Coreia do Sul.

Para o responsável, esta estratégia depende diretamente da conectividade aérea: “As atuais ligações diretas com cidades dos Estados Unidos e com a capital da Coreia do Sul são essenciais e será até desejável haver um reforço destas rotas”.

Mobilidade e crescimento regional

Francisco Calheiros defendeu ainda que o crescimento do turismo fora dos grandes centros urbanos depende de melhores condições de mobilidade.

“O crescimento dos destinos fora dos grandes centros urbanos é essencial”, afirmou, considerando que uma rede ferroviária mais rápida e eficiente pode desempenhar um papel decisivo na distribuição dos fluxos turísticos pelo território.

Nesse contexto, apontou o Alentejo como exemplo de desenvolvimento turístico regional, referindo que a região tem conseguido afirmar-se através da diversidade da oferta e da qualidade dos seus produtos.

Inteligência artificial e novas exigências do setor

O presidente da CTP referiu também que a hotelaria terá de continuar a adaptar-se às transformações tecnológicas, destacando a crescente relevância da inteligência artificial na gestão e na experiência do cliente.

“Refiro-me, por exemplo, à Inteligência Artificial”, afirmou, sublinhando, no entanto, que os diretores de hotel têm demonstrado capacidade para acompanhar esta evolução: “estão atentos às inovações e às novas tecnologias e sabem bem como as adaptar à realidade dos seus hotéis e dos seus mercados”.

Apesar das incertezas internacionais e das transformações tecnológicas, Francisco Calheiros mostrou-se confiante no futuro do setor, defendendo que o turismo continuará a desempenhar um papel central na economia nacional.

“O turismo tem ainda muito para dar ao país”, concluiu, acrescentando que Portugal continua a afirmar-se como um destino competitivo, com uma marca turística cada vez mais forte.