A AirHelp publicou recentemente os dados relativos a atrasos e cancelamentos de voos com origem em Portugal durante 2025. De acordo com este relatório, Portugal ocupa o último lugar na Europa em termos de pontualidade dos voos. Só o ano passado, quase 81 mil voos (num total de 227 mil voos) sofreram algum tipo de perturbação – cancelamento ou atraso – afetando mais de 11,6 milhões de passageiros, ou seja, aproximadamente 36% dos quase 33 milhões que viajaram a partir de Portugal. Tendo em conta estes números, mais de 434 mil passageiros tornaram-se elegíveis na obtenção de compensações, no âmbito do Regulamento CE 261/2004.
O relatório, que mostrou um cenário desanimador para o nosso país, indicou ainda que Noruega, Suécia e Estónia foram os países com menos perturbações nos seus voos e, em contrapartida, França, Grécia e Portugal os países com mais perturbações. Já o Reino Unido foi o país que registou mais passageiros aéreos.
Para além da informação relativa aos melhores e piores aeroportos europeus, a AirHelp reuniu um conjunto de conselhos para que os passageiros aéreos possam evitar problemas nos seus voos. Embora existam fatores inevitáveis, como as condições meteorológicas, um planeamento adequado pode reduzir significativamente o risco de interrupções.
A época do ano é um dos principais elementos a ter em conta. Por exemplo, em 2025, foram os meses de julho e agosto que registaram mais interrupções de voos e alto tráfego aéreo. Já os meses mais calmos – tanto em número de passageiros como em perturbações – foram os meses de janeiro e fevereiro.
O dia da semana também influencia. As segundas-feiras estão entre os dias com as maiores taxas de cancelamento, logo são consideradas um dos piores dias para voar. A elevada procura que ocorre aos fins-de-semana (de sexta-feira a domingo) pode significar maiores dificuldades às segundas-feiras – mais congestionamento e, portanto, mais incidentes. Por outro lado, as terças e quartas-feiras costumam apresentar melhores indicadores de pontualidade devido ao menor volume de tráfego aéreo.
O horário é outro fator determinante, com a AirHelp a recomendar que se voe logo pela manhã, dado que ao longo do dia os atrasos tendem a acumular-se, gerando um efeito ‘bola de neve’ que aumenta a probabilidade de incidentes em voos de última hora. Além disso, os cancelamentos ao fim da tarde não deixam margem para a reatribuição de um voo e podem obrigar o passageiro a pernoitar e adiar a sua viagem para o dia seguinte.
Melhores voos diretos do que com escala. Sempre que possível, escolher voos diretos reduz o risco de interrupções. Os passageiros que voam com escalas são mais suscetíveis a sofrer atrasos e, consequentemente, perder conexões. Em 2025, mais de 97 mil passageiros perderam o seu voo num aeroporto português devido ao atraso de um trajeto anterior. Geralmente, os voos diretos apresentam um custo mais elevado, no entanto permitem reduzir o tempo total de viagem e minimizar riscos adicionais, como a perda de bagagem.
Direitos dos Passageiros Aéreos
O Regulamento CE 261/2004, que regula os voos na União Europeia, protege todos os passageiros aéreos desde que tenham um bilhete emitido pela companhia aérea.
Assim, quando um voo é cancelado ou é recusado o embarque a um passageiro, as companhias aéreas devem oferecer possibilidade de continuar o seu voo, através de voos de reencaminhamento. O passageiro pode decidir recusar este reencaminhamento e pedir o reembolso total do bilhete. Além disso, se o passageiro tiver incorrido em despesas adicionais durante este processo, pode pedir à companhia aérea que as reembolse. O Regulamento CE 261/2004 estabelece que os passageiros têm direito a uma indemnização até 600 euros em caso de atrasos superiores a três horas à chegada ao destino, de cancelamentos notificados menos de 14 dias antes da partida e de overbooking. Esta compensação financeira pode ser reclamada retroativamente até três anos após o voo.
A companhia aérea pode isentar-se desta obrigação em caso de condições meteorológicas adversas que impeçam a operação normal do voo ou de emergências médicas, por exemplo, mas em caso de greves ou perturbações causadas pelo pessoal da companhia aérea, os passageiros têm direito a uma compensação.
Para fazer valer os seus direitos, a AirHelp recomenda que os passageiros recolham e guardem todas as comunicações da companhia aérea e toda a documentação relacionada com o voo, como o cartão de embarque e outros documentos de viagem, os recibos de quaisquer artigos que tenham tido de comprar devido ao atraso ou cancelamento do voo e anotem a hora de chegada ao destino.





