A Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) estima que a saída da Ryanair dos Açores possa traduzir-se numa redução anual do Produto Interno Bruto (PIB) regional entre 1,5% e 1,7%, o equivalente a uma quebra que poderá atingir 104,5 milhões de euros.
Os dados constam de um estudo elaborado pelo gabinete de estudos da associação empresarial das ilhas de São Miguel e Santa Maria, que analisou o impacto económico da anunciada saída da companhia aérea do arquipélago, prevista para março de 2026.
Em comunicado, a CCIPD refere que a diminuição da oferta aérea associada à saída da transportadora “terá consequências económicas relevantes” na Região Autónoma dos Açores, com efeitos no turismo, no tecido empresarial e no crescimento do PIB regional. O estudo sublinha que a acessibilidade aérea é “um dos principais fatores críticos de competitividade do destino Açores” e que, numa região ultraperiférica e arquipelágica, a mobilidade aérea constitui “uma condição estrutural para o funcionamento da economia”.
A associação alerta ainda que a decisão surge num contexto marcado pelo processo de reestruturação da Azores Airlines e pela ausência de uma estratégia de médio prazo para as acessibilidades aéreas, fatores que, no seu entendimento, agravam a incerteza quanto à evolução da conectividade da região.
Com base em dois cenários — admitindo que 60% ou 70% dos passageiros transportados são turistas — o estudo estima que a Ryanair assegure anualmente entre 102.886 e 118.561 turistas para os Açores. Considerando uma estada média de 3,30 noites e uma despesa média por visitante de 1.036 euros (a preços de 2025), a saída da companhia poderá resultar numa perda anual entre 339 mil e 391 mil dormidas.
Em termos de Valor Acrescentado Bruto (VAB), utilizado como aproximação ao PIB regional, o impacto é estimado entre 79,9 e 92,1 milhões de euros. Tendo em conta que o turismo representa cerca de 20% do PIB açoriano e que a Ryanair corresponde a uma quota entre 7,5% e 8,7% das dormidas turísticas, a associação calcula que a redução do PIB regional possa situar-se entre 90,1 e 104,5 milhões de euros por ano.
A CCIPD defende que o impacto económico potencial da saída da transportadora é “substancialmente superior” ao eventual esforço financeiro público necessário para assegurar a manutenção e diversificação das acessibilidades aéreas, reiterando a necessidade de uma estratégia integrada e de médio e longo prazo para o setor.
Recentemente, o Governo Regional dos Açores indicou estar a trabalhar com a TAP Air Portugal e com a SATA para mitigar os efeitos da saída da Ryanair e procurar novas companhias para operar no arquipélago a médio prazo.





