EUA: “Trump Slump” afasta estrangeiros pelo nono mês consecutivo

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O turismo internacional para os Estados Unidos continua a descer. Em janeiro, o número de visitantes estrangeiros caiu 4,8% em termos homólogos, marcando o nono mês consecutivo de recuo, segundo dados do National Travel and Tourism Office, organismo do Departamento do Comércio dos EUA.

A quebra coincide com o arranque do segundo mandato de Donald Trump e prolonga uma tendência negativa que se instalou ao longo de 2025. A indústria turística voltou a classificar o fenómeno como “Trump Slump” (recessão Trump), expressão usada para descrever o impacto político e económico na atratividade do país enquanto destino internacional.

Os dados revelam uma contração transversal aos principais mercados emissores. As chegadas provenientes da Ásia diminuíram 7,5%, enquanto o turismo europeu recuou 5,2% face ao mesmo mês do ano anterior. O mercado canadiano, tradicionalmente o maior fornecedor de turistas aos Estados Unidos, registou a queda mais acentuada.

Em 2025, o número de viajantes canadianos caiu 22%, uma redução que terá custado à economia norte-americana cerca de 4,5 mil milhões de dólares. Os primeiros indicadores de 2026 não apontam para uma inversão desta tendência, aumentando a pressão sobre setores como hotelaria, restauração, aviação e comércio.

Os sinais de desaceleração estendem-se também às reservas futuras. As marcações de voos da Europa para os Estados Unidos durante o pico do verão estão mais de 14% abaixo das registadas no mesmo período do ano passado, de acordo com a empresa de análise de dados de aviação Cirium.

Especialistas do setor apontam uma combinação de fatores para explicar o afastamento dos turistas internacionais, incluindo políticas migratórias mais restritivas, um ambiente político percecionado como hostil, o fortalecimento do dólar e a crescente competitividade de destinos alternativos na Europa e na Ásia.