Sessão de encerramento do 35.º Congresso da AHP: Turismo de Portugal anuncia na BTL primeiros passos para a agenda de ação climática

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A sessão de encerramento do 35.º Congresso da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), que decorreu na Alfândega do Porto, ficou marcada por um apelo à transformação do setor, pela resposta articulada à tempestade que atingiu o país e pelo anúncio de que o Turismo de Portugal dará, na próxima Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), “os primeiros passos para a agenda, à ação climática no país e no turismo”.

Carlos Abade, presidente do Turismo de Portugal, começou por fazer uma avaliação do encontro: “Muitos parabéns por este congresso, muitos parabéns pela riqueza e pela profundidade dos temas que aqui foram tratados.” Sublinhando a cooperação institucional, acrescentou: “Eu queria também fazer aqui um agradecimento muito forte à AHP pelo trabalho extraordinário que temos vindo a fazer o programa em conjunto em diversas áreas. Não seria possível, de facto, nós estarmos aqui se não tivéssemos esta cooperação tão estreita.”

Num momento em que o país enfrenta os efeitos de uma tempestade, o responsável deixou “uma nota de solidariedade do Turismo de Portugal (…) para todas as pessoas, para todas as empresas que têm sofrido tanto ao longo dos últimos dias”. Destacou ainda a mobilização do setor: “Em articulação entre o Turismo de Portugal e a AHP, foi possível criar no programa O Turismo Acolhe, que distribui alojamento temporário para as populações que estão neste momento desalojadas.”

Segundo Carlos Abade, “Em dois dias e meio nós já temos 97 empreendimentos de alojamento turístico associados, 732 quartos disponíveis, que cobrem 52 concelhos dos 68 existentes.” e rematou “É sempre bom agradecer por terem aderido tão rapidamente a este programa.”

Em declarações aos jornalistas, em relação aos beneficiários, precisou: “Relativamente às pessoas, nós não temos uma noção imediata [de quantas já foram alojadas através do programa], mas basta deslocarem-se à Câmara Municipal e pedir uma declaração em como precisam de alojamento temporário. Depois dirigem-se diretamente aos hotéis ou alojamentos.”

Fez ainda um esclarecimento sobre os prazos: “Dia 9 foi quando foi publicado o despacho. O despacho só entrou em vigor no dia seguinte, no dia 10, e só quando a plataforma ficou disponível.” Sublinhando a evolução do processo, concluiu, destacando a importância desta cobertura territorial para que as pessoas encontrem alojamento “o mais perto possível da sua morada”.

Crescer com mais valor e mais impacto

O presidente do Turismo de Portugal enquadrou o momento atual como o início de um novo ciclo: “A transformação já começou, este despertar à mudança.” E deixou uma orientação clara para o futuro: “Crescer com mais valor em vez de um número. Crescer com mais equilíbrio. Crescer com mais impacto.”

Recordando a evolução da última década, referiu que “há 10 anos atrás as receitas do turismo eram 12,8 milhões de euros” e que, em 2025, “chegamos quase aos 30 mil milhões de euros, ultrapassamos os 29 mil milhões de euros [referentes a 2024]. Isto é 120% mais do que aquilo que era há dez anos atrás.” Um desempenho que classificou como “um orgulho para Portugal e para os portugueses”, lembrando que o setor “representa hoje mais de 12% do PIB”.

Para Carlos Abade, esta dimensão traz responsabilidade: “Esta responsabilidade que está em cima de todos nós é uma responsabilidade que tem a ver também com Portugal. Com a capacidade do setor tem de transformar Portugal.” E reforçou: “Para a frente, de facto, o caminho é crescer. Continuar a crescer, com mais valor, com mais equilíbrio e com mais impacto.”

Entre as prioridades enumeradas, destacou a dimensão do conhecimento: “A dimensão do conhecimento tem de ser cada vez mais uma preocupação nossa”, sublinhando que a tecnologia e a inteligência artificial poderão ajudar “naquilo que é a rentabilidade, naquilo que é a produtividade das nossas empresas”, mas também “na gestão cada vez mais inteligente e saudável dos territórios”.

Defendeu ainda a cooperação estratégica: “Quanto mais cooperarmos, quanto mais nos relacionarmos teremos uma velocidade cada vez maior ao nível do crescimento.” E apontou objetivos concretos: “Transformar os territórios. Torná-los mais equilibrados. Torná-los mais competitivos, para além de lidar cada vez melhor com os riscos climáticos.”

Ação climática e qualificação no centro da agenda

No que classificou como uma dimensão “particularmente importante”, anunciou: “É por essa razão que o Turismo de Portugal, na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), lançará os primeiros passos para a agenda, à ação climática no país e no turismo: ”O objetivo passa por “um país e um território naturalmente mais resiliente”.

A transformação deverá também abranger empresas e pessoas: “Transformar também a relação das empresas e do turismo com os recursos humanos”, afirmou, defendendo que se deve “promover também uma cultura de excelência na formação” e sublinhando que “não é só qualificar os recursos humanos, é também capacitar as lideranças”.

A par disso, referiu ser de extrema necessidade “transformar as empresas. Transformar no sentido de as tornar cada vez mais produtivas, cada vez mais eficientes”, bem como “elevar a marca de Portugal e, com isso, beneficiar todos os setores da atividade”.

A terminar, deixou uma nota sobre o papel das associações: “Eu considero que, de facto, um setor forte, um turismo forte, precisa de um associativismo forte.”

Mobilização do setor e regresso ao Porto

Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da AHP, e Bernardo Trindade, presidente da associação, agradeceram “a presença dos nossos associados, dos nossos parceiros, dos nossos oradores e da nossa equipa”.

Bernardo Trindade recordou a decisão de, “21 anos depois, regressarmos ao Porto, estarmos na Alfândega, um grande sítio para acolher este evento”, e destacou a mobilização gerada pelo programa O Turismo Acolhe: “Em dois dias, 97 empreendimentos envolvendo 52 concelhos. Qual é a atividade económica que tem esta capacidade de mobilizar tão rapidamente tantos agentes, tantas pessoas, tanta vontade de apoiar?”

Dirigindo-se ao presidente do Turismo de Portugal, afirmou que ficou “claro e expresso que de facto o turismo é o principal instrumento de coesão territorial deste país”.

Encerrando os trabalhos, deixou a garantia de continuidade: “Na certeza de que a AHP continuará a fazer o seu papel, em prol dos nossos associados, dos nossos parceiros, pelo turismo.”