A Solférias voltou a encerrar um ano histórico em 2025, reforçando a trajetória de crescimento sustentado que tem marcado a sua atividade desde o período pré-pandemia. Apesar de alguns indicadores ainda estarem em fase de fecho contabilístico, Nuno Mateus, diretor da Solférias, confirma que a empresa voltou a superar os resultados do ano anterior, num contexto de mercado marcado por assimetrias sazonais, constrangimentos operacionais e elevada incerteza internacional.
“2025 foi um muito bom ano, à semelhança do que tem acontecido nos últimos anos. Desde 2019, tirando o período da covid-19, temos tido uma boa evolução e em 2025 voltámos a bater o recorde que tínhamos fixado em 2024”, afirma o responsável.
Em termos de volume, a Solférias deverá fechar o ano com cerca de 110 mil passageiros transportados, o que representa um crescimento próximo dos 17% face a 2024. “Alguns valores ainda estão em fase de fecho, mas estamos a falar de cerca de 10 mil passageiros a mais, o que é um crescimento muito significativo”, adianta Nuno Mateus.
Também ao nível da faturação, o desempenho foi expressivo. “Em termos de faturação, foi um excelente ano. Evoluímos cerca de 22%, o que é um resultado muito forte num ano que não foi homogéneo”, sublinha, acrescentando que nem todos os meses tiveram o mesmo comportamento. Junho, em particular, voltou a ser um mês mais desafiante. “É um mês com excesso de capacidade para a dimensão do nosso mercado. Para conseguirmos aeronaves, temos de garantir um número mínimo de rotações, e isso obriga-nos a procurar equilíbrios entre o que é bom para os parceiros e o que é bom para nós.”
Cabo Verde reforça liderança e Egito afirma-se como surpresa positiva
Apesar de a Solférias manter uma forte presença em operações charter — cerca de 25 por semana no verão —, o diretor sublinha que o grosso do negócio continua a ser feito em voos regulares. “Ao contrário do que muita gente pensa, o volume do nosso negócio em voos regulares é bem superior ao volume em charters” esclarece.
Ainda assim, no universo charter, Cabo Verde voltou a afirmar-se como o principal destino da programação, e fê-lo com um crescimento que surpreendeu pela dimensão. “Cabo Verde foi o nosso destino número um e, ao mesmo tempo, o que mais cresceu. Transportámos quase 37 mil passageiros, o que é um número muito elevado”, revela.
Para Nuno Mateus, a força do destino explica-se por uma fidelização rara no mercado. “Cabo Verde é, de longe, o destino com a maior taxa de repetentes. Há clientes que todos os anos viajam para destinos diferentes, mas não deixam de ir a Cabo Verde. Isso tem a ver com a forma como as pessoas se sentem acolhidas.”
O segundo destino mais vendido foi a Disneyland Paris, em volume de passageiros, apesar do valor médio mais baixo por pacote. Já o Egito destacou-se como a grande surpresa dos últimos anos. “Se calhar a grande surpresa foi o Egito. Há três ou quatro anos não tinha esta dimensão e hoje é um destino com um peso muito grande dentro da Solférias”, reconhece.
A diversificação da oferta egípcia tem sido determinante. “Falamos da Costa Norte, de Hurghada, das viagens culturais e, em 2026, vamos lançar Sharm el Sheikh. É um destino muito completo, com uma mistura forte entre cultura e praia.”
Senegal, Tunísia e Zanzibar mantiveram desempenhos sólidos, enquanto destinos de longo curso como Brasil, Maldivas e São Tomé continuam a ganhar peso. “Temos hoje uma panóplia de cerca de 20 destinos com um peso muito relevante dentro da nossa programação”, resume.
Grandes viagens ganham centralidade estratégica
Um dos segmentos que mais cresceu em 2025 foi o das grandes viagens, uma aposta estratégica clara do operador. “As grandes viagens foram a programação que mais cresceu dentro da Solférias. Evoluímos muito tecnologicamente e reforçámos equipas, porque este é um cliente que quer programas muito personalizados e combinações complexas”, explica Nuno Mateus.
Segundo o responsável, esta evolução ajuda a reduzir a dependência excessiva de um único destino, algo que marcou os primeiros anos da empresa. “Hoje continuamos a ter destinos muito fortes, mas a Solférias é muito mais equilibrada do que era no passado.”
Sem operações negativas, apesar da instabilidade global
Questionado sobre destinos ou operações que não tenham correspondido às expectativas, o diretor é cauteloso. “Num ano em que voltámos a bater recordes, negativo, negativo, sinceramente não posso considerar nenhum”, afirma, reconhecendo, ainda assim, que o contexto internacional influencia decisões de compra. “Vivemos num mundo com um nível de incerteza muito grande. Há fatores externos que impactam a procura e que muitas vezes não controlamos.”
2026 com otimismo moderado e forte antecipação de vendas
Para 2026, a Solférias antecipa um cenário de crescimento, embora com maior prudência. “Estou moderadamente otimista. Não é normal crescer sempre a ritmos de 22%. Cada ano exige trabalho para manter ou melhorar”, assume.
Um dos sinais mais claros é a alteração do comportamento do consumidor. “A antecipação está a aumentar. Hoje é normal começarmos a vender o verão seguinte em setembro ou outubro, algo que há poucos anos era impensável”, observa, destacando a importância crescente da Black Week como primeiro grande momento de vendas do ano.
Aeroporto de Lisboa continua a travar crescimento
Entre os principais constrangimentos estruturais, Nuno Mateus volta a apontar o aeroporto de Lisboa. “O aeroporto de Lisboa é um pesadelo para qualquer business plan no turismo. É muito difícil gerir slots e isso limita o crescimento, sobretudo nas operações charter”, critica.
Apesar disso, a Solférias tem procurado alternativas através do reforço de parcerias com companhias aéreas de maior dimensão. “Temos de aproveitar companhias que já têm capacidade instalada e trabalhar com essa realidade.”
Presença confirmada na BTL 2026
A Solférias marcará presença na BTL 2026, com stand próprio durante os dias profissionais da feira. “É o maior evento de turismo em Portugal e temos a obrigação de estar presentes. É um momento fundamental de networking e de trabalho com parceiros”, conclui, sublinhando também o papel da empresa no apoio às agências de viagens durante o evento.





