Turismo em Portugal gera 29 mil milhões de euros em 2025

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O turismo em Portugal voltou a alcançar resultados recorde em 2025, mas os dados revelam mais do que um simples crescimento conjuntural. De acordo com a análise do IPDT – Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo, os indicadores confirmam uma evolução estrutural do setor, marcada por maior consistência, geração de valor e redução gradual da sazonalidade.

Em 2025, as receitas turísticas ascenderam a cerca de 29 mil milhões de euros, um crescimento de 6% face a 2024, reforçando a trajetória de crescimento contínuo que se tem afirmado ao longo das últimas duas décadas, com especial consolidação no período pós-pandemia.

Procura cresce a ritmo moderado e revela estabilidade

Portugal registou 32,5 milhões de hóspedes em 2025, mais 3% do que no ano anterior. O crescimento foi sustentado por dinâmicas distintas entre mercados: os hóspedes residentes aumentaram 5%, totalizando 12,8 milhões, enquanto os mercados internacionais cresceram 2%, para 19,7 milhões de hóspedes.

Segundo o IPDT, esta evolução confirma o reforço do mercado interno como fator de estabilidade do sistema turístico, ao mesmo tempo que evidencia uma fase de crescimento mais moderado dos mercados externos, típica de destinos com elevado grau de maturidade.

A mesma leitura aplica-se às dormidas. Em 2025, Portugal atingiu 82,1 milhões de dormidas, um aumento de 2% face a 2024. As dormidas de residentes cresceram 5%, para 25,1 milhões, enquanto as de não residentes aumentaram apenas 1%, fixando-se em 56,5 milhões.

Turismo cresce mais em valor do que em volume

Um dos indicadores mais relevantes destacados pelo IPDT prende-se com a evolução económica do setor. Em 2025, os proveitos totais do alojamento turístico cresceram 7%, atingindo cerca de 7,2 mil milhões de euros, face aos 6,6 mil milhões registados em 2024.

Este diferencial entre o crescimento económico e o crescimento da procura indica uma maior geração de valor por visitante. Em média, os proveitos totais por hóspede aumentaram de 211 euros em 2024 para cerca de 220 euros em 2025, sinalizando ganhos de eficiência, progressiva qualificação da oferta e maior capacidade de captação de segmentos com maior contributo económico.

Madeira destaca-se e sazonalidade diminui

A análise regional evidencia comportamentos diferenciados. A Região Autónoma da Madeira foi a que apresentou maior crescimento em 2025, com aumentos de 5% no número de hóspedes, 4% nas dormidas e um crescimento expressivo de 17% nos proveitos totais.

A Madeira e a Área Metropolitana de Lisboa destacam-se também pela redução da sazonalidade, apresentando uma distribuição mais equilibrada da procura ao longo do ano. Esta menor concentração nos meses de pico, entre julho e setembro, é identificada pelo IPDT como um dos principais sinais de maturidade dos destinos e de melhor utilização da capacidade instalada.

Alargamento da época turística consolida-se

A leitura temporal dos dados confirma uma progressiva diluição da dependência do verão. O segundo trimestre de 2025, entre abril e junho, foi o período com maior crescimento face ao ano anterior, registando aumentos de 4% nos hóspedes, 4% nas dormidas e 9% nos proveitos totais.

Esta evolução contribui para uma maior estabilidade económica e operacional do setor ao longo do ano, reduzindo a pressão sobre os períodos tradicionalmente mais concentrados.

Previsões do IPDT confirmadas e superadas

Os resultados de 2025 validam, em grande medida, as previsões avançadas pelo Barómetro do Turismo IPDT, publicado no início do ano. O estudo antecipava entre 30,1 e 33 milhões de hóspedes, intervalo que acabou por ser confirmado, bem como entre 75,1 e 81 milhões de dormidas, valor que foi superado.

Também ao nível dos proveitos totais, estimados entre 5,6 e 6,5 mil milhões de euros, os resultados ficaram acima do previsto. Para o IPDT, esta validação demonstra a utilidade dos instrumentos prospetivos como apoio à decisão estratégica e à redução da incerteza.

Dados como ferramenta de governação

Apesar dos resultados positivos, o IPDT sublinha que os números não eliminam desafios nem dispensam planeamento, regulação e ajustamentos futuros. O que os dados demonstram é a capacidade do turismo português para crescer de forma consistente, adaptar-se a contextos distintos e gerar valor económico ao longo do tempo.

Neste sentido, o instituto defende que os indicadores devem ser encarados como instrumentos de governação, permitindo compreender ritmos de evolução, identificar padrões consolidados e orientar decisões futuras, ao serviço do desenvolvimento sustentável dos destinos.